Cultura

Morre, aos 101 anos, o roteirista Walter Bernstein

O nome pode não ser popular, mas sua contribuição para o cinema foi enorme. O roteirista Walter Bernstein, que morreu no sábado (23), aos 101 anos, de pneumonia, é autor do roteiro do filme Testa- de-Ferro por Acaso (The Front, 1976), quase um testemunho das agruras que ele e o diretor sofreram durante o macarthismo. Dirigido por Martin Ritt, com Woody Allen e Zero Mostel nos principais papéis, o filme conta a história de um roteirista (Zero) que entra para a lista negra promovida pelo senador McCarthy e fica proibido de assinar roteiros em Hollywood nos anos 1950, recorrendo a um amigo que trabalha num restaurante (Allen) para assumir o papel de testa-de-ferro.

A exemplo do personagem de Zero Mostel, Walter Bernstein teve de recorrer ao mesmo expediente para sobreviver na era McCarthy. Autoclassificado como um judeu secular de tendência esquerdista, Bernstein chegou a receber uma indicação para o Oscar por causa de Testa-de-ferro por Acaso, o que não deixa de ser irônico. Um homem contra o sistema hollywoodiano, que entrou para o Partido Comunista por influência de sua tia, Walter Bernstein escreveu roteiros para filmes que criticam duramente o imperialismo norte-americanos, entre eles o hoje clássico Limite de Segurança (Fail Safe, 1964).

Dirigido por seu amigo Sidney Lumet, Limite de Segurança é uma espécie de Doutor Fantástico (de Stanley Kubrick) em versão dramática. Em plena Guerra Fria, um erro de computador desloca uma frota de aviões para atacar Moscou e destruir a cidade com duas bombas atômicas, enquanto os russos se preparam para revidar e acabar com Nova York. Bernstein já havia trabalhado com Lumet num filme de 1959, Mulher Daquela Espécie (That Kind of Woman), em que Sofia Loren se vê dividida entre a proteção de um milionário e o amor por um soldado que está prestes a partir para a França ocupada.

Em Paris Blues, de 1961, sua primeira parceria com o diretor Martin Ritt, Walter Bernstein trata de uma tema social ainda mais complexo, a amizade inter-racial entre dois músicos de jazz, um branco (Paul Newman) e um negro (Sidney Poitier) expatriados numa Paris racista. Por essa época já assinava roteiros com o próprio nome, embora ele não apareça nos créditos de duas produções que fizeram grande sucesso, Sete Homens e um Destino (Seven Magnificent Men, 1960) e O Trem (The Train, 1964).

A única experiência de Walter Bernstein como diretor foi no filme A Garotinha Que Caiu do Céu (Little Miss Marker, 1980), sobre uma menina que é dada como garantia pelo pai em nome de uma dívida. Bernstein certamente não será lembrado por ele, mas por sua contribuição como roteirista e professor de cinema – até recentemente, aos 101 anos, ainda trabalhou como conselheiro de alunos de cinema da Universidade de Nova York.


+ Rapper implanta diamante de R$ 128 milhões no rosto
+ PR: Jovem desaparecida é encontrada morta; namorado confessa crime
+ Galo bota ovos e surpreende moradores de Santa Catarina

Veja também

+ Cientistas descobrem nova camada no interior da Terra
+ Aprenda 5 molhos fáceis para aproveitar o macarrão estocado
+ Aprenda a preparar o delicioso espaguete a carbonara
+ Vídeo: o passo a passo de como fazer ovo de Páscoa
+ Cientistas desvendam mistério das crateras gigantes da Sibéria
+ Sexo: saiba qual é a melhor posição de acordo com o seu signo
+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Como fazer seu cabelo crescer mais rápido
+ Veja os lugares inusitados onde famosos já fizeram sexo
+ Como saber se um pisciano está apaixonado por você? Descubra como Peixes reage ao amor!
+ Vem aí um novo megaiceberg da Antártida
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago