Cultura

Morre a escritora espanhola Almudena Grandes

Morre a escritora espanhola Almudena Grandes

A escritora espanhola Almudena Grandes em Alcalá de Henares, perto de Madri, em 4 de julho de 2000 - AFP


A escritora Almudena Grandes, referência da literatura espanhola que se tornou conhecida com um romance erótico e nos últimos anos transformou em ficção a história recente de seu país, morreu neste sábado (27) em Madri.

O jornal El País, onde também escreveu artigos de opinião, informou no Twitter que ela morreu em Madri aos 61 anos, em consequência de um câncer que já tinha tornado público.

“Perdemos uma das principais escritoras de nosso tempo. Comprometida e corajosa, narrou nossa história recente de uma perspectiva progressista”, disse o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, no Twitter.

Grandes, nascida em Madrid em 7 de maio de 1960, ficou conhecida com o livro erótico “As idades de Lulú” (1990), aos 28.

Esse romance causou escândalo e se tornou um best-seller. Pouco depois de sua publicação, foi levado às telas por outra figura polêmica, o diretor Bigas Luna, com a italiana Francesca Neri no papel de Lulu.

Em 2010, Grandes deu início a uma ambiciosa série de romances denominada “Episodios de una guerra interminable” sobre a história recente da Espanha, com títulos como “Las tres bodas de Manolita” (2014), “Los pacientes del doctor García” (2017) e “La madre de Frankenstein”, publicado en 2020.

Além de seus livros, Grandes, que se declarava de esquerda, republicana e anticlerical, expressava desde 2008 seu ponto de vista sobre a atualidade espanhola em uma coluna que publicava todos os domingos no jornal El País.

Em uma de suas colunas, publicada em outubro, ela explicou como foi diagnosticada com a doença. “Tive que escrever artigos muito complicados ao longo da minha vida. Nenhum como este”, afirmou em um texto em que definia o câncer como “uma doença como qualquer outra, certamente um aprendizado, mas nunca uma maldição, nem uma vergonha, nem um castigo”.

As reações à sua morte não demoraram a chegar. “Almudena Grandes retratou com maestria nossa história recente e deu voz a quem nunca a teve”, tuitou o Instituto Cervantes, órgão público de divulgação da língua e da cultura espanhola.

“Odeio a morte. Hoje a odeio mais do que outros dias porque ela levou Almudena e nos deixou sem todos os livros que ainda poderia ter escrito. Estou chocada”, escreveu no Twitter a escritora nicaraguense Gioconda Belli.

A ministra da Igualdade da Espanha, Irene Montero, também se manifestou. “Obrigada por nos presentear com sua literatura por décadas, obrigada por sempre falar da visão das mulheres, da memória histórica e da beleza das palavras”, tuitou.


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