Especial 40 anos

Moro passa o Brasil a limpo

A operação Lava Jato escancarou a gravidade da corrupção sistêmica no País ao mandar para a cadeia empresários e políticos que se imaginavam inatingíveis

Crédito: foto: GUILHERME PUPO

LIMPEZA - O juiz federal Sergio Moro: em dois anos de Lava Jato, 93 condenações (Crédito: foto: GUILHERME PUPO)


Justiça 2014/Brasil

A Lava Jato não será o legado de uma geração porque ela é um ponto fora da curva. Se não mudarmos as condições que favorecem a corrupção, ela passará sem trazer transformação real.” É dessa forma que o procurador do Ministério Público Federal e coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol, 36 anos, enxerga as consequências da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro já realizada no Brasil — e uma das maiores do mundo. Para ele, a operação é “como um pêndulo que saiu de sua posição original e tende a voltar para o ponto de repouso: pode ser que tudo torne a ser como antes.”

Esse pêndulo começou a se mover a partir de uma denúncia, feita no fim de 2008 pelo empresário Hermes Magnus. À época, ele procurou a Polícia Federal para contar que sua pequena indústria estava sendo usada para lavar dinheiro por seu sócio, o ex-deputado José Janene. As investigações conduziram, em março de 2014, a um posto de gasolina em Brasília, usado para movimentar dinheiro ilícito por uma organização criminosa. Começava ali a operação Lava Jato.

Num esquema que pode ter movimentado R$ 40 bilhões, construtoras organizadas em cartel desviavam recursos de obras em estatais, como a Petrobras e a Eletrobras, pagando propinas a executivos do alto escalão das empresas, a partidos e a políticos. O valor das propinas variava entre 1% e 5% do preço total das obras. O esquema só passou a ser conhecido graças a delações premiadas. Em dois anos, 93 pessoas foram condenadas, a maioria pelo juiz Sergio Moro, responsável pelos julgamentos em primeira instância dos crimes na 13ª Vara Federal de Curitiba. Pela primeira vez, foram presos grandes empresários, entre eles os maiores empreiteiros do País.

A visão preocupante de Dallagnol tem seus motivos. Para ele, embora seja um passo importante, a Lava Jato não transformará o país sozinha. “É necessário mudar as condições que favorecem a corrupção no Brasil: as falhas no sistema político e a regra da impunidade para os colarinhos brancos”, diz. “Por isso, precisamos avançar na reforma política e na reforma do sistema de justiça criminal.”

Peso histórico

Dallagnol acredita que ainda é cedo para avaliar se a Lava Jato terá algum peso histórico, mas já gerou duas consequências: a conscientização sobre a gravidade da corrupção e fim da certeza de impunidade dos grupos econômicos e políticos poderosos. “A maior virtude da Lava Jato é fazer o diagnóstico da corrupção sombria que sangra o nosso País”, afirma. “Se fizermos as reformas, aí sim teremos um grande legado que poderá nos trazer um Brasil mais justo.”


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“Se não mudarmos as condições que favorecem a corrupção, a Lava Jato passará sem trazer transformação real” Deltan Dallagnol, 36 anos, procurador Federal e coordenador da força-tarefa
“Se não mudarmos as condições que favorecem a corrupção, a Lava Jato passará sem trazer transformação real” Deltan Dallagnol,36 anos, procurador Federal e coordenador da força-tarefa

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