Edição nº2585 11/07 Ver edições anteriores

Moro, Lula e a jornada do herói

Sergio Moro e Luiz Inácio Lula da Silva duelam há cinco anos. A luta reúne os principais estágios de um percurso mítico. Tudo se originou na Operação Lava Jato, chefiada pelo juiz Sergio Moro que indiciou, julgou e prendeu empresários e políticos, inclusive Lula, em nome do combate à corrupção. No palco nacional, irromperam as figuras do juiz algoz ou justo do presidente contraventor ou preso político. Ambos têm se engalfinhado pela vitória do Bem sobre o Mal. Por mais que sejamos partidários de um ou outro, é impossível ignorar que tal conflito se encontra acima da polícia, da política e do sistema. Os brasileiros são levados a acompanhar um embate em crescente suspense. Seu final determinará o vilão e o herói.

O que nem Moro nem Lula parecem saber é que trilham um caminho mítico. O antropólogo americano Joseph Campbell definiu-o como “A jornada do herói”. Vencerá quem cumprir os doze estágios do percurso iniciático. Este envolve um homem comum que é chamado à aventura. Vacila, mas encontra um mentor que o convence aceitar o desafio. Então o herói cruza o mundo mágico, sofre e passa por testes para aprender os preceitos que o conduzirão à perfeição. Passa a fase, mas é lançado à maior crise. É quando enfrenta a morte e é recompensado ao superá-la. Volta ao mundo terreno e é de novo desafiado a mostrar seus poderes. Ao vencer, retorna à casa com uma poção mágica e assim ajuda os homens.

É um enredo mil vezes percorrido por outros personagens, como Osíris, Buda ou, mais apropriadamente nesse caso, Enkidu e Gilgamesh, os rivais da epopeia suméria que disputam a conquista do universo. Moro e Lula terão de se enfrentar neste e somente neste campo (não estou me referindo à realidade mundana) para triunfar.

Lula obedece essa cartilha como quem a conhece há muito tempo. Já se encontra no umbral do estágio onze, o da ressurreição do herói, e pode receber o elixir da redenção — pelo menos assim vaticina a esquerda.

Moro mal acaba de chegar ao sexto estágio, o das provações iniciais. Se não observar as lições de Campbell e mantiver o pacto com a extrema direita, aferrando-se ao governo após os vazamentos, saírá frustrado da jornada. À beira do abismo, Moro tem um caminho mais longo a trilhar. Talvez só a renúncia e aceitação de um duelo definitivo com o inimigo poderá levá-lo à superação e ao pódio — ou à derrota final. Uma ressalva: tudo isso é o que indica o gráfico mítico e não a vida real. Mas há momentos em que a realidade se rende à lenda.

O que nem Moro nem Lula parecem saber é que trilham um caminho mítico. Vencerá quem cumprir os doze estágios do percurso iniciático


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