Moro contra-ataca

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)

Moro pede, Mello concede, Aras ajoelha e Bolsonaro vai ter que rezar. Quem julgou que o inventor da Lava Jato tava desaparecido se enganou. Moro está morto não! Ele ressuscitou das cinzas e do Covid pela pena dura do Ministro Celso de Mello que vai obrigar o Presidente Bolsonaro a depor pessoalmente ­— e não por escrito — no caso da troca do diretor da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

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Testemunha pode escrever, mas investigado vai ter que falar! Celso de Mello destacou, em sua decisão, que essa possibilidade de depoimento presidencial por escrito é coisa de testemunhas, quando os presidentes são investigados – que é o caso agora com Bolsonaro — Jair vai ter mesmo que depor em pessoa.

O inquérito foi aberto logo em abril, depois que Sérgio Moro pediu a demissão, precisamente porque  Bolsonaro estaria interferindo indevidamente na Polícia Federal. O ex-ministro entregou o cargo por não concordar com a demissão do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, determinada por Bolsonaro.

Recorda o que falou o presidente nessa reunião? Vou-lhe lembrar — “E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma … urna extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, né? Dei os ministérios pros senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar, pô.” Interferiu? Vai ajoelhar!

Mas desta vez não vai dar só para um “ajoelhar e rezar” básico. Bolsonaro pode ter que chorar as pitangas porque como relator do caso, o ministro Celso de Mello também autorizou Sérgio Moro a enviar ao presidente perguntas a serem respondidas por ele. Tá imaginando?

Embora estes questionamentos devam ser feitos pelos advogados de Moro as indicações de Mello são inequívocas: “A inquirição do Chefe de Estado, no caso ora em exame, deverá observar o procedimento normal, respeitando-se, desse modo, mediante comparecimento pessoal e em relação de direta imediatidade com a autoridade competente (a Polícia Federal, na espécie), o princípio da oralidade.

Mas o melhor vem mesmo no fim quando o o decano dos ministros do STF assegura ipsis verbis ao Senhor Sérgio Fernando Moro, querendo, por intermédio de seus Advogados, o direito de participar do ato de interrogatório e de formular reperguntas ao seu coinvestigado”.

Moro pede, Mello concede, Aras ajoelha e Bolsonaro vai ter que se explicar. Nos dois anos que falam para a eleição do Presidente da República — e em ano de bicentenário — a fritura promete ser lenta e dolorosa. Que não seja o povo a pagar o pato enquanto Moro racha o bico.

 

 

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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