Comportamento

Mórmons iniciam funerais de vítimas de ataque no México

Mórmons iniciam funerais de vítimas de ataque no México

Velório de Rhonita Miller e seus filhos - AFP

Familiares começaram a enterrar, nesta quinta-feira (7), os corpos de nove mulheres e crianças mórmons assassinados em uma emboscada de matadores no norte de México, em um ambiente de dor e muita tensão pelos cartéis do narcotráfico.

Entre coroas de flores e uma imensa tristeza, familiares e amigos deram o último adeus às vítimas das famílias LeBarón e Langford, três mulheres e seis crianças que perderam a vida nesta segunda em um cruel ataque quando viajavam por uma estrada rural entre os estados de Sonora e Chihuahua, ao lado dos Estados Unidos.

Os visitantes chegaram de lugares muito distantes, como Utah e Dakota do Norte, nos Estados Unidos, visivelmente sofridos por seus seres queridos terem sido assassinados, supostamente pelos integrantes do cartel do narcotráfico La Línea.

“Dawna era uma pessoa que estava cheia de vida. Amava as pessoas”, disse, inconsolável, Karen Woolley, mãe de Dawna Langford, uma das três mulheres mortas.

“Viemos honrar sua memória, tentar entender o que está acontecendo. É responsabilidade da autoridade investigar e nos dizer o que aconteceu (…) É um ato de terrorismo para todos os mexicanos”, disse Alex LeBarón, que encabeçava a caravana.

Segundo as autoridades mexicanas, as vítimas teriam sido confundidas com um grupo rival do cartel La Línea, mas os familiares – que lutaram contra os grupos criminosos que se apoderaram da zona – insistem que se tratou de um ataque deliberado.

Caixões de madeira construídos por homens desta comunidade mórmon de origem americana – assentada nessa zona do norte do México com pradarias áridas e montanhas cobertas de pinheiros – guardavam os restos das vítimas de um fato que causou indignação no México e no exterior.

A família Langford foi a primeira a prestar homenagens aos seus mortos: Rhonita Miller, de 30 anos, e seus filhos, Howard Jr, de 12; Krystal, de 10; e os gêmeos Titus e Tiana, de oito meses.

“Não dá para imaginar que haja pessoas que podem fazer uma coisa horrível como essa. Mulheres inocentes, crianças inocentes”, expressou aflito Kenneth Miller, sogro de Rhonita.

Fotografias dos Miller foram colocadas sobre os caixões, diante de pessoas chorando inconsoláveis e ainda atônitas pela crueldade do ataque.

– Luto binacional –

Também foram velados Dawna Langford, de 43 anos, e seus dois filhos Trevor, de 11, e Rogan, de 2, e a terceira mulher, Christina Langford, de 31.

Espera-se que na sexta-feira os corpos de Rhonita e de seus gêmeos sejam levados à colônia dos LeBarón, no município de Galeana, Chihuahua (norte), para ser sepultados.

Dezenas de integrantes da família LeBarón, provenientes de diversas partes dos Estados Unidos, tinham chegado na quarta-feira a Sonora para participar nos funerais.

As estradas de terra que levavam a Rancho La Mora, e que eram percorridas pela caravana de carros para os funerais, eram fortemente vigiadas pelas Forças Armadas mexicanas.

As famílias LeBarón e Langford pertencem a uma comunidade mórmon que vive em Chihuahua há mais de um século, para onde se mudaram após serem perseguidas nos Estados Unidos por suas tradições, especialmente a poligamia.

– Onda de violência –

Até agora, a principal hipótese do governo mexicano é que o crime teria sido resultado de um confronto entre quadrilhas de traficantes rivais.

As autoridades mexicanas creditam o ataque aos membros de La Línea, cujos assassinos entraram no território do cartel de Sinaloa e estabeleceram um posto avançado armado em uma colina perto de La Mora.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, reiterou na quinta-feira que seu governo não enfrentará os problemas segurança com violência e que manterá seu plano de chegar à raiz do problema – pobreza e desigualdade, segundo ele – sem o uso de força.

“Recentemente temos enfrentado situações difíceis, mas isso não vai nos desviar. Pelo contrário, em crises, mesmo que sejam transitórias, as posições são mais definidas”, disse o presidente em sua habitual coletiva matinal.