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Japão considera sair da Comissão Internacional da Baleia após bloqueio da caça comercial

Japão considera sair da Comissão Internacional da Baleia após bloqueio da caça comercial

Imagem de 25 de abril de 2014 de caçadores de baleia em Ishinomaki - AFP/Arquivos

O Japão considera, nesta sexta-feira, se retirar da Comissão Internacional da Baleia (CIB), depois de que a organização rejeitou sua proposta de autorizar a caça comercial de cetáceos, mantendo assim a moratória vigente, no último dia da reunião em Florianópolis.

O vice-ministro japonês da Pesca, Masaaki Taniai, disse que lamentava o fracasso da proposta e ameaçou abandonar a CIB se não houver progressos no retorno à caça comercial de baleias.

“Se as evidências científicas e a diversidade não forem respeitadas, se a caça comercial for totalmente negada… o Japão terá que reavaliar sua posição como membro da CIB”, declarou.

O comissário japonês na CIB, Joji Morishita, se negou a fazer comentários quando foi consultado sobre se esta poderia ser a última participação do país na comissão, organização que presidiu nos dois últimos anos, até esta sexta-feita.

Mas minutos após o fim da reunião, Morishita afirmou à AFP que as diferenças com os países que se opõem à caça de cetáceos estavam “muito claras”, e que o Japão definiria agora seu “seguinte passo”.

O comissário questionou se, no futuro, “uma organização diferente ou uma combinação de diferentes organizações” poderiam tomar esta decisão.

Os países defensores dos cetáceos, liderados por Austrália, União Europeia e Estados Unidos, derrubaram a proposta japonesa intitulada “O caminho a seguir” por 41 votos a 27.

Seis dos 89 países membros não enviaram uma delegação e sete outras nações, a maioria africanas, que não pagaram suas contribuições, não votaram.

O Japão havia buscado o consenso, mas finalmente decidiu submeter sua proposta à votação “para mostrar as ressoantes vozes de apoio” a um retorno à caça sustentável de baleias com fins lucrativos.

Os países insulares do Pacífico e do Caribe, assim como Nicarágua e vários países africanos, incluindo Marrocos, Quênia e Tanzânia, votaram do lado do Japão, assim como as nações asiáticas Laos e Camboja. A Coreia se absteve.

A CIB foi criada em 1946 para conservar e gestionar a população mundial de cetáceos e baleias. Em 1986 introduziu uma moratória sobre a caça comercial de baleias, depois de que sua exploração levou algumas espécies a estarem em risco de extinção.

Mas o Japão insiste em que as populações de baleias se recuperaram o suficiente para que a caça comercial seja retomada.

Atualmente, Tóquio respeita a moratória, mas explora uma brecha legal para matar centenas de baleias por ano com “fins científicos”, assim como para vender a carne. A Noruega e a Islândia ignoram a moratória e são partidárias da aposta do Japão de retomar a caça comercial.

Uma retirada do Japão teria consequências de grande alcance para a organização, dado o apoio que tem de um número crescente de países em desenvolvimento na CIB.

O vice-ministro Taniai disse que o resultado da votação “pode ​​ser visto como uma negação, por governos com diferentes pontos de vista, da possibilidade de coexistir em respeito mútuo e compreensão dentro da CIB”.

Em resposta, o representante australiano Nick Gales rejeitou o “discurso do Japão que ressalta a intolerância e disfunção” da CIB.

Ele pediu que Tóquio permanecesse na CIB “para continuar lutando para defender seu ponto de vista e trabalhar construtivamente com outros membros”.

Em comunicado à imprensa, o governo brasileiro indicou que “reafirma a importância da manutenção da moratória à caça comercial de baleias, em vigor desde 1986, e reconhece o papel da CIB na recuperação das populações dos grandes cetáceos (mamíferos marinhos)”.

“A aprovação é a reafirmação da posição de todos os países que, como o Brasil, defendem uma posição conservacionista da CIB, e não a liberação da caça”, destacou o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, citado no comunicado.