Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Mais de 48 horas após a chuva intensa de sábado, 5, moradores de diferentes bairros da cidade de São Paulo ainda enfrentam falta de fornecimento de energia elétrica na tarde desta segunda-feira, 7, principalmente na zona oeste da capital. Os consumidores também relatam problemas recorrentes de interrupção do serviço nos dias em que há temporais, que têm sido frequentes neste verão.

Uma queda de árvore em frente a uma escola infantil na Avenida Professor Alfonso Bovero, na zona oeste, perto de uma unidade da Sabesp, interrompeu a distribuição de energia ao colégio e a outros estabelecimentos da região. Segundo Lígia Bueno, de 35 anos, consultora de gestão de pessoas da escola, a árvore caiu por volta de 16h40 de sexta-feira, 4. Havia aula no momento e teve de ser feita reorganização para as crianças serem retiradas do local.

As classes foram retomadas nesta segunda, mas ainda com gerador. “O barulho não foi alto. Só quando saímos tivemos dimensão do que aconteceu”, conta Lígia. “Pela câmera de segurança de um estabelecimento na frente, mostra que o dono do carro havia acabado de sair.”

Morador do bairro Sumarezinho, na zona oeste, o publicitário Rafael Alves, de 30 anos, está sem energia há mais de 48 horas. “Sem perspectiva de volta”, lamenta. “Na semana passada, a luz falhou diversas vezes, mas voltou rápido”, compara. Por estar em home office, precisou trabalhar em uma cafeteria nesta segunda. A falta de fornecimento começou por volta das 15 horas de sábado.

Interrupções de serviço de menor duração são frequentes. Na sexta-feira, por exemplo, ficou seis horas sem energia. “Eu me mudei para o prédio novo há duas semanas, e os funcionários já disseram para eu me acostumar. Choveu, caiu a energia.”

Ele conta que, quando chove, já corre para colocar o celular no carregador. “A falta de energia afetou intensamente meu trabalho, praticamente perdi um dia. No fim de semana, comprometeu todo meu planejamento, organização da casa, limpeza. Uma geladeira cheia de um mercado recém-feito se perdeu. É absolutamente inviável”, conta.

O morador relata ter ligado diversas vezes para a empresa de distribuição de energia Enel, mas conta que sequer conseguiu falar com um atendente. “Só recebo previsões soltas, que não se concretizam. Basicamente, dizem que volta em tantas horas e, claro, não volta”, reclama.

Em nota, a Enel afirma ter normalizado o serviço em 80% dos endereços até a manhã desta segunda-feira, 7. “A empresa triplicou a quantidade de equipes em campo para agilizar os reparos (…). A distribuidora segue trabalhando ininterruptamente para restabelecer o fornecimento de energia a todos os clientes impactados pelas chuvas”, disse, em nota.

Problema constante

Na Vila Guarani, no distrito do Jabaquara, na zona sul, por exemplo, os moradores relatam ter passado pela situação cinco vezes em menos de um mês. O problema seria em um poste, que explodiu em casos de chuva na região.

No último fim de semana, a empresária Leila Quesada, de 66 anos, teve de dormir na casa do filho, pois ficou cerca de 12 horas sem energia entre o sábado e o domingo, 6. Estava com o marido e a mãe, de 90 anos, que tem dificuldades motoras e não conseguiria subir até o 8º andar sem um elevador. “Ela teve de dormir em um colchão no chão, foi um transtorno absoluto”, relata.

Ela reclama da demora na resolução do problema, que começou há cerca de três semanas na região. “Antes acontecia de acabar, como em qualquer lugar, mas voltava rapidinho”, compara. Pela quedas frequentes de energia quando chove, a moradora fica temerosa em ter danos com algum aparelho eletrônico e eletrodoméstico. “Se fosse a primeira vez, tudo bem, mas não é”, lamenta. “A gente nunca sabe o que vai acontecer (quando chove).”

Na chuva do último fim de semana, até famosos reclamaram da situação nas redes sociais, como a chef Paola Carosella, que contou ter ficado mais de 9 horas sem energia, e a influenciadora Gessica Kayane, cuja falta de fornecimento se estendeu por cerca de 12 horas.

No bairro Sumaré, na zona oeste, o professor universitário Renato Sérgio de Lima, de 51 anos, relata ter enfrentado cinco quedas de energia desde a terça-feira, 28. “Aqui é muito comum a energia cair e voltar em poucos minutos. Mas, desde terça, o bairro teve várias árvores caídas e cabos partidos”, relata.

Após interrupções durante a madrugada, o fornecimento no endereço em que reside retornou de forma incompleta, apenas com duas fases. Ou seja, os elevadores não voltaram a funcionar por horas. “Galhos da árvore em frente ao prédio caíram ontem mas não vieram tirar. O zelador é que desobstruiu a entrada da garagem”, conta.

Também na zona oeste, na Vila Madalena, a empresária Laura Santos, de 59 anos, ficou 24 horas sem energia entre o sábado e o domingo. “Normalmente, quando acontece uma coisa assim, em umas 3 ou 4 horas arrumam”, comenta.

Ela procurou a distribuidora, mas as previsões não se concretizavam. “Nunca vi demorar tanto”, conta ela, que mora na região há cerca de 30 anos. “O que impressiona são as informações erradas. Falavam que vai voltar na hora tal. Geralmente, quando falavam, voltava (no prazo estipulado).”