O Dia das Mães deste ano ganhou um olhar mais sensível com a nova campanha do Boticário, que coloca em pauta o chamado “ninho vazio” — sentimento vivido por muitas mulheres ao longo da maternidade e ainda pouco explorado na publicidade. A proposta amplia o debate para além da celebração tradicional da data, trazendo à tona emoções reais como saudade, solidão e, principalmente, os processos de ressignificação que acompanham cada fase da relação entre mães e filhos.
Para dar vida à narrativa, a marca convidou Mônica Martelli, mãe de Julia, que participa de uma série de esquetes em vídeos especiais para o TikTok, compartilhando vivências pessoais e reflexões sobre as despedidas que atravessam a maternidade. A campanha parte da ideia de que o “ninho vazio” não acontece apenas quando os filhos saem de casa, mas se manifesta em diferentes momentos da vida. “Observamos um interesse crescente sobre os impactos emocionais desse processo, muitas vezes associados à solidão e ao silêncio. Nosso papel foi dar visibilidade a esse sentimento com sensibilidade e abrir espaço para um diálogo mais honesto”, afirma Carolina Carrasco, diretora de branding e comunicação do Boticário.
Em entrevista à IstoÉ Gente, a atriz falou sobre como enxerga esse processo na própria vida, o equilíbrio entre cuidado e autonomia e a relação construída com a filha ao longo dos anos.
Mônica Martelli – Foto: divulgação
ISTOÉ GENTE: A campanha do Boticário aborda o “ninho vazio”. Como esse tema conversa com a sua história como mãe?
Monica Martelli: Eu sei que vou sofrer quando a Julia sair de casa, mas também desejo muito que ela tenha autonomia, que se descubra e seja feliz. Essa campanha me fez refletir que a gente passa a vida esperando essa despedida, mas, na verdade, ela acontece aos poucos. Desde pequena, já vivi vários momentos de “separação” com ela, quando deixou a fralda, começou a ir à escola, mudou os interesses. São despedidas que vêm acompanhadas de recomeços, sempre com orgulho do crescimento dela.
ISTOÉ GENTE: Em que momento você percebeu que a relação entre vocês entrou em uma nova fase? Ainda se fala pouco sobre os sentimentos da maternidade?
Monica Martelli: As fases mudam o tempo todo. Na pré-adolescência, por exemplo, ela já não queria mais fotos, começou a buscar o próprio espaço. É natural, chega uma hora em que o filho quer descobrir o mundo por conta própria. Ao mesmo tempo, sigo atenta, presente. Aqui em casa, o diálogo é essencial. Eu faço terapia há muitos anos, e ela também, então conseguimos conversar com maturidade. A gente pede desculpas, se escuta, se apoia. Existe muito amor e sinceridade na nossa relação.
ISTOÉ GENTE: Muitas mães enfrentam dificuldade em equilibrar cuidado e autonomia. Como foi para você?
Monica Martelli: Esse equilíbrio é um desafio constante. A gente quer que os filhos sejam independentes, mas ainda precisam de orientação. Com a Julia, tudo é muito conversado. Ela questiona, argumenta, e eu também. Teve até a história do piercing, que eu neguei por um tempo, mas depois entendi o ponto dela. No fim, é isso, orientar sem impedir que eles construam a própria identidade.
ISTOÉ GENTE: O “ninho vazio” também pode representar liberdade e redescoberta. Você enxerga assim?
Monica Martelli: Eu vejo todos os lados. Tem saudade, claro, mas também tem recomeço, redescoberta, novas possibilidades. A vida é isso, se reinventar. Eu tenho uma rotina intensa de trabalho, minha vida amorosa, e tudo isso ajuda a equilibrar. Quando a Julia sair de casa, vou sentir falta, mas também vou sentir alegria por vê-la seguindo o caminho dela. Acho que sempre vai existir essa mistura de orgulho e saudade.
ISTOÉ GENTE: Que mensagem você deixaria para mães que estão vivendo esse momento agora?
Monica Martelli: Vai doer, não tem como negar. A gente passa anos grudada, vivendo essa relação intensa. Mas também é importante entender que esse afastamento faz parte da nossa missão como mãe. Criamos nossos filhos para o mundo. E, de alguma forma, nossa presença continua, talvez até mais forte, porque fica marcada em tudo que eles levam da gente. É ressignificar e seguir em frente, com amor.
Mônica Martelli – Foto: divulgação