Moldávia elege seus deputados em votação antecipada

Moldávia elege seus deputados em votação antecipada

A presidente pró-europeia da Moldávia, Maia Sandu, e seu rival pró-russo, Igor Dodon, votaram neste domingo (11) em eleições legislativas antecipadas, que devem fortalecer o poder da chefe de Estado e enfraquecer a influência de Moscou.

Depois de sua vitória nas eleições presidenciais de novembro de 2020 contra o então presidente Igor Dodon, Sandu precisa assumir o controle do Parlamento para implementar a política que prometeu, começando com a luta contra a corrupção endêmica neste pequeno país entre a Ucrânia e a Romênia.

Ex-economista do Banco Mundial, Sandu, de 48 anos, dissolveu em abril a Assembleia Nacional ainda controlada por Dodon.

A presidente foi saudada com aplausos em sua seção eleitoral em Chisinau. “Votei para colocar nosso país em ordem, para nos livrarmos daqueles que pilharam nosso país por tantos anos”, disse ela a repórteres.

Dodon, citado pela mídia local, disse que “votou em uma equipe que pode unir o país e não provocar novos conflitos”.

O resultado da votação determinará se a Moldávia “será deixada ao controle estrangeiro” do Ocidente, continuou ele em um ataque velado à presidente.

Um dos países mais pobres da Europa, viveu, desde a sua independência em 1991, várias crises políticas, além de um conflito congelado na Transnístria, um território separatista pró-Rússia.

Os moldavos também estão cansados de escândalos de corrupção. Um dos mais chocantes, em 2015, foi o desaparecimento de um bilhão de dólares – o equivalente a 15% do PIB – dos cofres de três bancos.

“Depois de tantos anos, este país finalmente tem esperança de expulsar os ladrões, que se estabeleceram graças ao dinheiro russo, e eleger as pessoas que servirão o país honestamente”, disse à AFP Natalia, uma moradora de 29 anos de Chisinau, após votar no partido de Sandu.

Lioudmila, aposentada de 70 anos, votou no bloco dos socialistas e comunistas (BESC) liderado por Dodon: “Sob os comunistas havia ordem” e “vivíamos melhor”.

– ‘Influência russa enfraquecida’ –

A formação de Sandu é creditada com 35% a 37% das intenções de voto, contra 21% a 25% para seus rivais do BECS. Dois outros pequenos partidos têm chances de entrar no Parlamento.

A diáspora, que representa mais de um terço dos eleitores neste país afetado por uma emigração muito forte, poderia aumentar consideravelmente a pontuação de Sandu, depois de tê-la apoiado amplamente nas eleições presidenciais.

No final da manhã, a mídia moldava relatou longas filas em frente às seções eleitorais, especialmente na França e na Alemanha.

Para muitos de seus compatriotas, a presidente é a primeira figura política que ascendeu ao topo do Estado “preservando uma reputação de honestidade” e “um símbolo de mudança”, explica o cientista político Alexei Tulbure.

Para muitos analistas, a votação deve, em qualquer caso, desferir um golpe para a Rússia, que deseja manter o controle sobre a Moldávia.

“A maioria parlamentar será pró-europeia e a influência russa enfraquecerá”, prevê o cientista político Sergiy Gerasymchuk, que vive em Kiev.

Ex-república soviética de 2,6 milhões de habitantes, a Moldávia oscila de acordo com as eleições entre os partidários de uma reaproximação com Moscou e os de uma integração europeia.

Maia Sandu já irritou o Kremlin ao dizer que deseja que a guarnição russa na Transnístria, um território separatista que escapa ao controle moldavo há quase 30 anos, vá embora, dando as boas-vindas aos observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).