O dólar operou em alta nesta segunda-feira, 2, avançando especialmente ante os pares europeus. A guerra no Oriente Médio e as perspectivas de disparada no preço dos hidrocarbonetos, reforçadas com o fechamento do Estreito de Ormuz, pressionam as economias da região, enquanto não tem o mesmo efeito para a americana. A duração do conflito e seu impacto nos mercados de energias tendem a ser cruciais para as taxas de câmbio.
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,34 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1689 e a libra tinha queda a US$ 1,3399. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,79%, a 98,381 pontos.
A principal ameaça à economia global é a alta dos preços do petróleo, destaca a Capital Economics, pontuando que o fato de os EUA serem um exportador líquido de energia provavelmente contribui para a força do dólar. Caso o conflito se prolongue e os preços do petróleo subam ainda mais, isso deverá continuar a beneficiar o dólar e as moedas de outros exportadores líquidos de petróleo, avalia. “Outro fator que pode favorecer o dólar é o momento em que nos encontramos no ciclo global de flexibilização monetária. Afinal, havia um número consideravelmente maior de cortes precificados para os EUA do que para a maioria das outras economias”, acrescenta a consultoria.
No Reino Unido, os traders passaram a precificar chance de 50% para um corte de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) ainda este mês, abaixo dos mais de 80% anteriormente. O BoE pode inicialmente manter as taxas estáveis antes que um mercado de trabalho e uma economia relativamente fracos forcem uma mudança, de acordo com John Taylor, chefe de renda fixa europeia na AllianceBernstein.
Com a inflação real e as expectativas ainda acima das taxas consistentes com as metas, o BoE provavelmente será mais sensível aos riscos de alta da inflação causados pelos eventos recentes no Oriente Médio do que alguns outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu (BCE), aponta a Capital Economics. O mercado derrubou suas apostas para corte de juros pelo BCE neste ano.