Moedas Globais: dólar opera sem sinal único, de olho em tarifas e destaque para queda do iene

O dólar operou sem sinal único nesta terça-feira, 24, em uma sessão de movimentação limitada conforme investidores ponderam a tarifa global de 10% anunciada pela Casa Branca. O destaque voltou a ser o iene, que sofreu uma desvalorização considerável diante de relatos de interferência governamental na política do Banco do Japão (BoJ, em inglês).

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 155,78 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1783 e a libra tinha alta a US$ 1,3509. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,14%, a 97,843 pontos.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, manifestou reservas sobre eventuais novos aumentos nas taxas de juros durante a reunião que manteve, na semana passada, com o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, informou nesta terça-feira o jornal The Mainichi, citando várias fontes anônimas. Se confirmado, o relato sinaliza um possível atrito na condução da política monetária que pode complicar o cronograma do BoJ, à medida que a coordenação com o governo se torna mais delicada.

Na avaliação do Société Générale, as preocupações fiscais diminuíram um pouco, e a ameaça de intervenção ajudou o iene, mas o que o BoJ faz ou deixa de fazer é menos relevante. “O iene precisa, acima de tudo, de um crescimento mais forte do Japão para que os recentes ganhos modestos continuem”, conclui.

Na avaliação do Swissquote, o novo regime tarifário dos EUA reduz os custos efetivos para países como Brasil, Índia, Canadá, México e Vietnã. Por outro lado, a União Europeia e o Reino Unido – que acreditavam ter garantido acordos comerciais favoráveis – agora parecem mais vulneráveis com a mais recente reestruturação.

O peso mexicano contou com uma das principais valorizações entre emergentes, com o dólar recuando a 17,1834 pesos no fim da tarde, recuperando grande parte das perdas da véspera, quando foi pressionado pela escalada de violência no país. Hoje, parte relevante da atividade afetada no México deu sinais de normalização. Já o peso chileno também teve alta de destaque, apoiado por avanços acima de 2% nos preços do cobre. O dólar recuava a 860,90 pesos chilenos no mesmo horário.

Hoje à noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará discurso sobre o Estado da União, no qual são esperados novos anúncios.