O dólar operou sem sinal único nesta segunda-feira, 30, subindo ante uma série de moedas, mas recuando na comparação com o iene. Após a moeda norte-americana ser cotada acima de 160 ienes, os sinais de intervenção no mercado cambial impulsionaram a divisa japonesa, que acabou avançando. Com a guerra no Oriente Médio entrando em seu segundo mês, as pressões à moedas de países importadores líquidos de petróleo, como o caso do Japão, persistem.
Por volta das 16h50 (de Brasília), o dólar caía a 159,70 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1470. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,36%, a 100,509 pontos.
O Banco do Japão (BoJ, pela sigla em inglês) sinalizou cautela sobre um possível aumento na inflação subjacente em meio a um avanço nos preços da energia, alimentando a especulação do mercado sobre uma iminente elevação da taxa de juros. A autoridade afirmou que aumentos nos preços do petróleo podem afetar a inflação subjacente em ambas as direções – ou pesando sobre a economia ou aumentando as expectativas de inflação.
Intervenções conjuntas entre Japão e EUA para fortalecer o iene frente ao dólar após as recentes quedas não devem ser descartadas, afirma Thu Lan Nguyen, do Commerzbank. De acordo com a especialista, em janeiro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, refutou as especulações sobre tais intervenções, mas isso ocorreu em um momento de queda do dólar.
Analista sênior do Swissquote, Ipek Ozkardeskaya, aponta que não há mais margem para extrair valorização da relação entre dólar e iene, visto que as posições especulativas não possuem margem suficiente para tolerar uma intervenção cambial. “É claro que o iene permanecerá sob pressão em relação ao dólar, mas qualquer intervenção – ou ameaça de intervenção – manterá as posições vendidas especulativas sob controle”, avalia.
“Intervenções cambiais para conter a força do dólar, em um momento de alta nos preços do petróleo, podem desacelerar a valorização da moeda, mas o que poderia eventualmente revertê-la é: a reversão da escalada das tensões no Oriente Médio e a divergência de posturas mais agressivas entre o Federal Reserve (Fed) e os demais principais bancos centrais”, avalia.