O dólar operou em baixa ante a maioria das moedas, com um movimento de venda de ativos americanos deflagrado pelo acirramento das disputas entre EUA e Europa sobre a Groenlândia, com ameaças tarifárias de ambos os lados. A exceção foi o iene, que caiu ante o dólar, envolto na política interna do Japão e temores sobre o aspecto fiscal do país frente a convocação de eleições, desencadeando uma disparada nos rendimentos dos títulos públicos locais (JGB).
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar avançava a 158,23 ienes, enquanto o euro caía a US$ 1,1722 e a libra tinha alta a US$ 1,3435. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em queda de 0,76%, a 98,641 pontos, depois de atingir menor nível em duas semanas a 98,246 pontos.
“Estamos um pouco pessimistas em relação ao dólar este ano por razões macroeconômicas. Mas uma queda de 10%, semelhante à tendência de ‘Venda América’ de abril passado, parece improvável”, afirma o ING, notando que investidores estrangeiros agora possuem índices de hedge cambial mais adequados para ativos americanos.
Os mercados de câmbio europeus pareceram reagir positivamente a comentários de líderes rechaçando as tarifas americanas, aponta o banco holandês. “Mas acreditamos que estamos longe de um cenário que possa desencadear uma grande desvalorização do dólar. E, mais uma vez, enfatizamos que os fatores sazonais tendem a ser mais favoráveis ao dólar, especialmente em fevereiro”, aponta o ING. A previsão do banco é do euro a US$ 1,17 para no próximo mês.
No caso do iene, uma nova onda de vendas de títulos do governo japonês (JGBs) parece levar o dólar a se aproximar da zona de intervenção, embora analistas levantem dúvidas sobre sua eficácia. Em entrevista à Bloomberg, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, pediu calma aos mercados. “Desde outubro passado, nossa política fiscal tem sido responsável e sustentável, não expansionista, e os números demonstram isso claramente”, afirmou.