Moedas Globais: dólar opera em baixa, pressionado por tensões comerciais entre EUA e europeus

O dólar operou em baixa nesta segunda-feira, 19, ante a maioria das moedas, pressionado por tensões geopolíticas e liquidez reduzida por feriado nos Estados Unidos. No radar, a possibilidade de que a União Europeia retalie as tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ampliou cautela nos mercados. No caso do Japão, o iene oscilava perto da estabilidade, em dia de novidades na política local.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar recuava a 158,14 ienes, enquanto o euro caía a US$ 1,1646 e a libra tinha alta a US$ 1,3428.

As tensões entre EUA e União Europeia penalizaram o dólar em favor das divisas europeias, em um movimento visto por analistas como “Venda América”. Contudo, apesar da valorização na sessão, há uma perspectiva de que o euro possa sofrer uma desvalorização, segundo o Société Générale. O banco suíço destaca que a moeda comum ainda não rompeu o nível de US$ 1,15, mas que uma queda abaixo deste nível pode ocorrer em breve e “alterar o sentimento cambial em geral”.

Economistas da Fitch Ratings e da Capital Economics também alertaram para riscos de que as novas tarifas pesem sobre a atividade econômica da zona do euro e do Reino Unido. Ainda nesta segunda, o Eurogrupo discutiu a nomeação do vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e aprovou a candidatura de Boris Vujcic, atualmente presidente do BC da Croácia.

Apesar do Société ver a escalada tarifária entre Europa e EUA como positiva para o iene, a divisa do Japão operou perto da estabilidade, diante da pressão da política doméstica após a premiê Sanae Takaichi anunciar oficialmente a convocação de eleições antecipadas. Marcada para 8 de fevereiro, a disputa eleitoral começa já na próxima semana e a dissolução da Câmara Baixa está prevista para esta sexta-feira.

Em nota, a Fitch reafirmou o rating A em moeda estrangeira de longo prazo do Japão, com perspectiva estável. A agência justificou a decisão mencionando os padrões de governança robustos para uma economia “avançada” em contraposição a preocupações com crescimento e dívida pública elevada.