O dólar voltou a ser negociado em alta nesta sessão, novamente impulsionado pela guerra no Oriente Médio. A moeda americana aparece como um refúgio seguro diante da escalada militar que não apresenta sinais de retrocesso até o momento, enquanto o cenário energético dos EUA favorece as contas externas em um contexto de disparada no preço do hidrocarbonetos. Em contrapartida, moedas de países europeus e asiáticos com grande dependência das importações destas commodities se desvalorizam.
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,54 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1608 e a libra tinha baixa a US$ 1,3359. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,55%, a 99,317 pontos.
O dólar provavelmente continuará em alta enquanto persistir a incerteza no Oriente Médio. O fato de o ouro não ter atraído fluxos mais fortes de ativos de refúgio sugere que os investidores não têm muitas opções óbvias para se proteger, aponta Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote. As notícias não apontam para uma resolução próxima do conflito, avalia.
“A incerteza provavelmente impedirá que os índices globais se recuperem de forma sustentável. Se o conflito se intensificar, o dólar se valorizará ainda mais”, pontua.
A correlação entre comércio, PIB e petróleo é respeitada nos mercados emergentes, destaca o Société Générale. O peso colombiano teve um desempenho superior na crise, enquanto o chileno sofreu uma forte queda. Nesta sessão, a moeda foi pressionada ainda pela queda do cobre, com o dólar subindo a 913,38 pesos chilenos no final da tarde.
O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis De Guindos, alertou que a inflação na zona do euro pode aumentar e o crescimento pode diminuir, caso a guerra no Irã se prolongue e envolva mais países.
O dirigente do BCE Olli Rehn alertou contra otimismo exagerado sobre a possibilidade de rápida solução do conflito. O também dirigente do BCE Joachim Nagel afirmou que um conflito prolongado impulsionará a inflação e prejudicará o crescimento, segundo a Reuters.