O dólar voltou a operar em alta nesta terça-feira, 03, com o acirramento da guerra no Oriente Médio e os temores sobre os preços de energia que o conflito pode impulsionar.
Entre as economias desenvolvidas, moedas europeias voltaram a constar entre as mais desvalorizadas, com intenso temor de que a alta na inflação possa afetar a atividade no continente que ainda vem tentando se recuperar do choque com a guerra da Ucrânia. Entre emergentes, ativos de países mais ligados às commodities metálicas tiveram as maiores quedas acompanhando o recuo de matérias-primas como ouro, prata e cobre.
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,64 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1616 e a libra tinha queda a US$ 1,3361. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,68%, a 99,052 pontos.
“O dólar está em alta generalizada. Outros ativos considerados seguros, como o ouro, o franco suíço e os Treasuries, estão em baixa”, aponta a Bannockburn Capital Markets. “A guerra no Oriente Médio é a única questão fundamental que importa agora. E a névoa da guerra torna particularmente difícil obter qualquer perspectiva significativa neste momento. É difícil vislumbrar uma saída ou uma redução da escalada a curto prazo. A incerteza é grande. Dados econômicos de alta frequência significam pouco”, avalia.
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Williams, alertou que a consequência mais direta do conflito no Oriente Médio virá de preços de petróleo mais altos, que podem impulsionar a inflação no curto prazo, embora os efeitos dependam da duração das tensões. “Vamos ter que ver o quão persistente será, mas teria um efeito sobre a inflação em geral”, afirmou.
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse que uma guerra prolongada pode impulsionar fortemente a inflação na zona do euro e prejudicar seu crescimento econômico. O mercado estima em 50% a probabilidade de o BCE aumentar os juros em 0,25 ponto porcentual em 2026, segundo a Bloomberg.
O peso chileno liderou as quedas entre emergentes, pressionado pelo recuo do cobre, metal no qual o Chile é o maior exportador mundial. No final da tarde, o dólar subia a 903,95 pesos. Logo atrás veio o rand sul-africano, com desempenho ligado ao ouro. No mesmo horário, o dólar avançava a 16,5093 rands.