Moedas Globais: dólar opera em alta ante rivais e emergentes avançam, com petróleo e guerra

O dólar operou em alta ante rivais, mas caiu ante a maioria das emergentes nesta terça-feira, 10, em sessão marcada pelo apetite por risco desencadeado pela forte queda nos preços do barril de petróleo. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo um fim rápido para a guerra do Irã e os planos do G7 de liberação de reservas diminuíram os temores de que a inflação causada pela alta da commodity tivesse forte impacto na economia global e elevasse os juros pelo mundo. No entanto, a navegação pelo Estreito de Ormuz segue no radar, o que inclui relatos de que o Irã pode ter colocado minas na região, limitando os planos ocidentais de escoltar navios.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 158,10 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1615 e a libra tinha queda a US$ 1,3418. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,35%, a 98,826 pontos.

O dólar deixou de ser um porto seguro fácil de controlar, mas o choque da guerra permite que ele se comporte como tal, aponta o TD Securities. Os EUA são relativamente fechados, autossuficientes em energia e geograficamente isolados. O movimento de alta foi amplificado pelo desmonte de posições, e não por uma reprecificação fundamental, avalia. O desempenho superior do dólar canadense reforça a ideia de que este não é um episódio clássico e avassalador de busca por refúgio, pontua o banco.

O tom geral dos bancos centrais permanecerá agressivo enquanto persistir a ameaça das implicações inflacionárias da guerra, avalia o estrategista de Câmbio e Juros do Macquarie Group, Thierry Wizman. “Esperamos que essa postura mais agressiva persista mesmo após o fim das hostilidades, principalmente porque os dados podem continuar a apontar para pressões inflacionárias”, avalia.

“Alguns emergentes possuem vastas reservas de petróleo, são exportadores líquidos e estão longe da zona de guerra. Brasil, Colômbia e África do Sul são os maiores beneficiados em termos de troca, assim como foram após a invasão da Ucrânia em 2022, o que continuará sendo verdade enquanto o preço do petróleo não cair completamente para os níveis pré-guerra”, avalia.

Na sessão atual, o grande beneficiário foi o peso chileno, que chegou a subir mais de 3% ante o dólar, que recuava a 891,00 pesos no final da tarde. A moeda do país andino foi beneficiada ainda pela alta do cobre, que também impulsionou ativos do vizinho Peru, com o dólar caindo a 3,42 soles peruanos no final da tarde.