Moedas Globais: dólar cai, com sinalizações de Trump sobre Irã e queda no petróleo

O dólar operou em baixa nesta segunda-feira, 23, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que está em negociações para um acordo de cessar-fogo com o Irã, o que levou a tombo de 10% nos preços do petróleo. Como resultado, a visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) poderá ter que subir taxas neste ano para lidar com a inflação perdeu forças.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar caía a 158,37 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1619 e a libra tinha alta a US$ 1,3439. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,7%, a 98,950 pontos.

Para o Société Générale, as oscilações bruscas nos desdobramentos geopolíticos torna difícil tomar conclusões definitivas sobre o rumo dos ativos, mas, sem uma abertura rápida do Estreito de Ormuz, é “muito provável” que taxas de juros permaneçam mais altas, assim como os custos para importadores de petróleo.

O banco francês destaca que o mercado já precifica política monetária mais restrita pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE, em inglês), ainda que não veja majoritariamente um aumento nas taxas do Fed.

Segundo ele, quanto mais tempo o preço do petróleo permanecer elevado, maior a probabilidade de juros mais altos na Europa, em termos absolutos e na comparação com os EUA. No continente, a coroa norueguesa, que vinha amplamente apoiada pela alta do petróleo, recuou quase 2% ante o dólar, que era cotado a 9,7438 coroas no final da tarde.

O diretor do Fed Stephen Miran disse que o BC americano não vê a necessidade, neste momento, de considerar aumentos de juros e que as perspectivas continuam apontando para cortes nas taxas este ano, embora em ritmo menor do que ele esperava anteriormente.

Nesta sessão, a fraqueza do dólar e do petróleo favoreceu moedas emergentes. Na marcação, o dólar caía a 16,8248 rands sul-africanos, a 17,7766 pesos mexicanos e a 910,51 pesos chilenos – este último apoiado também pelos ganhos de metais básicos.

Na véspera, contudo, os temores de um agravamento no Oriente Médio sob a ameaça anterior de Trump sobre bombardear instalações energéticas do Irã haviam penalizado as divisas, em especial o won sul-coreano, que caiu ao menor nível contra o dólar desde março de 2009. A mudança de narrativa também contribuiu para recuperação da divisa, junto a notícia sobre a troca de comando no BC da Coreia do Sul (BoK, em inglês), com a moeda americana em queda a 1.486,60 wons, no horário citado.