Moedas Globais: dólar cai com decisões mostrando BoJ, BCE e BoE mais cautelosos

O dólar operou em baixa nesta quinta-feira, 19, com queda ante rivais em sessão que contou com decisões de juros do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). Apesar de manutenção de juros nos três casos, as sinalizações das três autoridades sobre a inflação causada pela disparada dos preços em razão da guerra do Irã levaram a perspectivas de taxas de juros mais elevadas ao longo deste ano, favorecendo as moedas respectivas. Nos três casos, os ativos vinham pressionados ante o dólar em razão das economias serem importadoras líquidas de energia.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar cedia a 157,64 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1586 e a libra tinha valorização a US$ 1,3434. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,85%, a 99,232 pontos.

A Oxford Economics agora projeta que o BoJ adiará seu próximo aumento de taxa de juros para julho, em vez de junho, diante de riscos de que a economia caia em estagflação. O BoJ manteve sua taxa de política em 0,75% nesta madrugada. Posteriormente, a consultoria espera que o BC japonês continue com aumentos graduais de juros no primeiro e terceiro trimestres de 2027.

Segundo a Reuters, o BCE pode precisar começar a discutir aumentos nas taxas de juros em abril e possivelmente apertar a política na reunião de junho, a menos que o conflito no Oriente Médio seja rapidamente resolvido, disseram três fontes. O BCE manteve sua principal taxa de juros em 2% nesta quinta-feira e alertou que a guerra está obscurecendo as perspectivas de crescimento e inflação.

O Deutsche Bank alterou sua projeção e não espera mais cortes nas taxas de juros pelo BoE neste ano. Em relatório após a decisão de juros da autoridade monetária hoje, o banco aponta ainda que a possibilidade de aumentos nas taxas não pode mais ser descartada. A decisão de hoje de manter os juros em 3,75% foi tomada com uma votação expressiva de 9 a 0 – a primeira unanimidade desde setembro de 2021.

Fora das decisões, a coroa norueguesa teve alta expressiva ante o dólar, que era cotado a 9,486 coroas no final da tarde. As perspectivas de preços mais altos de energia tendem a favorecer o ativo da Noruega, importantes exportadora de hidrocarbonetos. O rand sul-africano também subiu mais de 1% ante o dólar, em recuperação de parte das quedas recentes e apesar do tombo do ouro.