O dólar operou em baixa nesta terça-feira, 17, ante a maioria dos rivais, em uma semana na qual as atenções à guerra no Oriente Médio se dividem com os impactos da alta dos preços do petróleo nas decisões dos bancos centrais. Na Austrália, a alta de juros pela autoridade monetária foi justificada pelo potencial impacto inflacionário do conflito. Com Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Banco Central Europeu (BCE) e outros em reunião nos próximos dias, as respostas tendem a guiar os fluxos cambiais.
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar caía a 159,05 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1540 e a libra tinha alta a US$ 1,3359. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,14%, a 99,575 pontos.
O banco central da Austrália (RBA) elevou os juros de 3,85% para 4,10% ao ano, no segundo aumento consecutivo desde fevereiro, quanto tirou a taxa básica do nível de 3,6% pela primeira vez desde agosto de 2024. O RBA disse que a guerra no Oriente Médio gera incerteza e pode ter impacto sobre a inflação global e doméstica, que deve ficar acima da meta por algum tempo. No final da tarde, o dólar australiano subia na comparação com o americano, a US$ 0,7107.
Para a Capital Economics, os bancos centrais enfrentam o “dilema clássico” provocado pela disparada do petróleo, em que a responsa adequada dependerá dos motivos para alta dos preços, da persistência do choque e dos riscos para as expectativas de inflação. “Nas circunstâncias atuais, provavelmente é melhor para a maioria dos bancos centrais das economias avançadas adiar os cortes nas taxas de juros, mas evitar aumentos, a menos que as expectativas de inflação subam”, avalia.
No Japão, as principais autoridades financeiras disseram estar atentas às oscilações irregulares em moedas e rendimentos de títulos, sinalizando sua prontidão para intervir à medida que as tensões no Oriente Médio aumentam a volatilidade do mercado. O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, disse ao parlamento que o banco central conduzirá operações de compra de títulos de forma flexível para conter altas rápidas nos rendimentos.
O sol peruano operou perto da estabilidade ante o dólar, cotado a 3,41 soles no final da tarde, em dia no qual a primeira-ministra peruana Denisse Miralles renunciou semanas antes das eleições gerais de 12 de abril. As constantes mudanças políticas no país nos últimos anos tendem a ter pouco impacto no câmbio. Por sua vez, o Bank of America avalia um cenário positivo à moeda, com crescimento das exportações, forte confiança empresarial e eleições mais favoráveis criando condições mais propícias para a aceleração da economia.