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Moedas, acaso e eleições

O tempo que a moeda leva para girar no ar antes de cair é o momento de se tomar a decisão. A teoria, meio maluca, é de Gerd Gigerenzer, psicólogo alemão especialista em tomadas de decisão. Tradicionalmente, consultores recomendam o seguinte processo para a tomada de decisões: listar os pros e os contras em colunas opostas e escolher o lado que contiver maior número de itens positivos. Se você tiver de escolher entre dois candidatos, por exemplo, o processo natural é esse mesmo: liste as qualidades e os defeitos de cada um e analise o saldo.

Se, evidentemente, um deles apresentar muito mais vantagens comparativamente, o melhor a fazer é escolhê-lo. Porém, às vezes, a situação fica mais complexa e não se tem clara visão a respeito do melhor candidato. Aí entram as instruções de Gigerenzer: pense na sua escolha e jogue a moeda para o alto. Enquanto ela estiver girando, você saberá qual escolha não deve ser feita. Aí nem precisa ver de que lado a moeda caiu.

Na fração de segundo em que a moeda gira, o processo decisório se adensa em sua mente e daí resulta um claro sinal do que, pelo menos, não deve ser escolhido. A inevitabilidade da escolha revela o pior que pode acontecer. Ao se evitar a pior escolha, reduz-se o risco do pior cenário.

A omissão da sociedade e a destruição de valor na política — tanto por parte dos políticos quanto por parte da mídia — levam hoje a um quadro deserto de boas escolhas no cenário brasileiro. Como disse um ex-ministro e deputado federal, nenhum político no País aguenta um cutucão bem dado. Sempre aparecerão coisas que não são lá muito republicanas.

Assim, nosso quadro eleitoral caminha para a situação descrita por Gigerenzer, em que a moeda deve ser adotada. Isso porque, até o momento, o que temos visto é uma corrida de candidatos com defeitos semelhantes. Uns com defeitos de natureza ideológica e outros com defeitos de natureza ética e moral, sendo que temos até alguns campeões, que padecem de defeitos tanto éticos quanto ideológicos.

Ao cidadão comum, a escolha que então se apresenta é a escolha do menos pior. Se não conseguir fazer logo a decisão do menos pior, jogue a moeda para o céu e pense no pior que pode acontecer ao País. A escolha será revelada naquele que não deve ser escolhido. Depois de jogar a moeda para o alto, lembre-se de que não se deve nem olhar de que lado ela caiu.

O acaso pode estar jogando contra.

A inevitabilidade da escolha revela o pior que pode acontecer. Ao se evitar a pior escolha, reduz-se o risco do pior cenário


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