Cultura

Modernismo catalão surgiu com prósperos mecenas burgueses

Os curadores da exposição de Gaudí, Raimon Ramis e Pepe Serra Villalba, consideraram oportuna a inclusão, na mostra, de alguns obras produzidas durante a eclosão do movimento modernista catalão para situar o contexto em que viveu o arquiteto, autor de obras que levam milhares de turistas a Barcelona todos os anos, como o palácio, os pavilhões e o Parque Güell, a Casa Calvet, a Casa Batlló e a Casa Milà, entre outras.

Assim, o visitante é recebido na primeira sala por uma pintura de matriz impressionista, de Modest Urgell, passa por um busto em mármore de Josep Llimona, considerado o principal escultor do modernismo catalão e chega aos móveis artesanais que decoravam as casas dos mecenas do movimento, como Eusebi Güell (1846-1918), amigo íntimo de Gaudí, um conde culto e refinado que encomendou algumas das principais obras ao arquiteto.

Com o avanço da indústria espanhola na virada do século, outros mecenas do modernismo catalão seguiram o exemplo de Güell. A Casa Calvet, construída entre 1898 e 1900, por exemplo, foi concebida tanto como residência (os andares superiores) como sede do negócio do industrial têxtil Pedro Mártis Calvet. Outro mecenas foi Josep Batlló Casanovas, também do ramo têxtil, que bancou a Casa Batlló, prova do crescimento de Barcelona como polo industrial maior na passagem do século 19 para o 20.

Nesse primeiro núcleo, destacam-se, além das pinturas, peças artesanais de ferro encomendadas por Gaudí para os portões de alguns edifícios projetados por ele, mas chama a atenção a riqueza de detalhes dos móveis desenhados pelo arquiteto, que rompeu com o estilo Pompadour para projetar as primeiras cadeiras ergonômicas, que mais tarde tornariam Mackintosh famoso. Invariavelmente, tanto os móveis projetados para a Casa Calvet como para a Casa Batlló seguem a premissa orgânica: o que é bom para a coluna dos animais é também para o homem. Uma cadeira com o assento curvo e madeira clara é um convite irresistível não só para os olhos como para a parte sul do corpo.

“Ele elimina o supérfluo e carrega tanto o prédio como a decoração da mobília com um simbolismo de caráter místico, religioso”, observa o curador Raimon Ramis. Para construir colunas ou escadas, Gaudí não hesita em adotar como referência a estrutura óssea de animais, como na casa Batlló, cuja escadaria principal replica a coluna vertebral de um dinossauro.

“O que importava, na época do modernismo catalão, era a ostentação”, observa o curador Raimon Ramis. “Daí que os burgueses não se importavam com as extravagâncias do arquiteto”, conclui.

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