Cultura

Mobiliário também é parte importante da obra de Ruy Ohtake


Para o arquiteto Ruy Ohtake, o mobiliário é também parte fundamental para a casa brasileira. Ao construir a residência da sua mãe, a pintora Tomie Ohtake, em 1966, ele decidiu construir, em concreto, os móveis que julgava mais fundamentais para a casa. “O que achava importante na sala decidi fazer em concreto”, explica. “Fiz um sofá, a mesa de estar longa e, no corredor, estantes para ela colocar esculturas pequenas e discos.”

Foi assim, segundo o arquiteto, que nasceu o conceito que ele chama de “móveis imóveis”. Parte deste trabalho de Ruy também é explorado na exposição A Produção do Espaço, no Museu da Casa Brasileira.

Mas em outra mostra, intitulada O Design da Forma, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, este trabalho é exibido sob uma visão mais ampliada, focada nos mobiliários e objetos criados por Ruy ao longo dos anos. Desde 1995, mais especificamente, ele tem investido na produção de peças em diversos materiais, como porcelanato, madeira, aço e vidro. A exposição conta com obras originais, desenhos, modelos volumétricos e ainda vídeos e entrevistas com o arquiteto.

“Embora bastante reconhecido pela suntuosidade e ousadia de suas curvas, o arquiteto entende a produção de seus espaços de modo a extrapolar a concepção geométrica, o desenho, a definição de uma forma”, afirma uma das curadoras da mostra, Priscyla Gomes, em seu texto. “Para invariavelmente conduzir a experiência daquele que percorre o espaço, propiciando surpresa e, paulatinamente, revelando a natureza mais específica de cada superfície e material.” Fabio Magalhães e Marili Brandão também assinam a curadoria.

A exposição fica ao lado de uma sala, no Instituto Tomie Ohtake, que relembra a vida da mãe de Ruy e fala, também, sobre a casa da família, projetada pelo arquiteto. A conexão, segundo ele, é importante, pois os ensinamentos da mãe foram fundamentais para o seu trabalho, em qualquer que seja a vertente. “O que eu aprendi com a Tomie foi a desenvolver a intuição, se você perguntasse para ela sobre qualquer quadro que ela fez, ela não teria justificativa”, afirma Ruy Ohtake. “A intuição faz você ir um passo adiante, saber andar no escuro. Foi isso e também estar sempre buscando a inovação.”


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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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