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Minneapolis se prepara para despedida de George Floyd

Minneapolis se prepara para despedida de George Floyd

Grupo de manifestantes em protesto em frente à Casa Branca, em 3 de junho de 2020, em Washington - AFP

Minneapolis se prepara nesta quinta-feira (4) para se despedir de George Floyd, um cidadão negro, cuja morte por um policial branco em 25 de maio desencadeou um movimento de protesto que não se via há décadas nos Estados Unidos.

A onda de protestos – que ocorre cinco meses antes da eleição e em meio à pandemia de coronavírus – se intensificou na segunda-feira, quando o presidente Donald Trump ameaçou mobilizar o Exército para restaurar a ordem, depois que protestos pacíficos durante o dia terminaram em distúrbios noturnos.

Os distúrbios forçaram muitas cidades a declararem toque de recolher, e 10.000 pessoas foram presas em todo país, de acordo com a imprensa local. Não há balanço de mortos, ou feridos, porque alguns incidentes à margem dos protestos ainda estão sendo investigados.

A homenagem a Floyd em sua cidade será liderada pelo ativista dos direitos civis Al Sharpton.

O vídeo que mostra o oficial branco Derek Chauvin imobilizando Floyd com o joelho pressionado em seu pescoço por nove minutos provocou uma indignação nunca vista desde o assassinato do ativista negro Martin Luther King Jr., em 1968.

Na quarta-feira, os promotores responsáveis pelo caso em Minnesota endureceram as acusações contra Chauvin, que, na semana passada, foi acusado de homicídio culposo.

Agora, ele também será processado por homicídio sem premeditação, uma acusação que se soma às já existentes e acarreta penas mais severas.

Se condenado, pode pegar até quatro décadas de prisão, embora nos Estados Unidos haja poucos casos de condenação contra policiais.

Além disso, o promotor acusará os outros três policiais que estavam no local – Tou Thao (34 anos), J. Alexander Kueng (26) e Thomas Lane (37), já detidos – por ajudarem e instigarem o assassinato.

– “Agridoce” –

Al Sharpton, responsável pela elegia a Floyd, reuniu-se com a família do falecido na quarta-feira.

“Amanhã vamos expor como nos mobilizaremos em nível nacional em nome de George Floyd, Ahmaud Arbery, Breonna Taylor e outros”, disse o ativista.

Arbery morreu em fevereiro, depois de ser baleado por moradores brancos do bairro onde havia saído para correr, na Geórgia. Breonna, uma mulher negra, morreu após ser baleada quando a polícia entrou em sua casa em março, no Kentucky.

O caso de Floyd ressuscitou feridas e medos sobre o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, o que deu origem ao movimento Black Lives Matter, em 2013.

Em nota, a família de Floyd agradeceu pelas mobilizações, observando que as prisões dos agentes que estavam livres e as novas acusações são um momento “agridoce” e um “passo significativo no caminho da justiça”.

Embora uma das demandas dos manifestantes tenha sido atendida, as mobilizações continuaram na noite de quarta-feira para exigir mudanças mais profundas.

Em Washington, uma multidão se reuniu perto da Casa Branca, desafiando o toque de recolher imposto a partir das 23h locais.

Centenas de manifestantes ignoraram a proibição e marcharam no Capitólio para depois se juntarem aos manifestantes da Casa Branca. Foram acompanhados por um impressionante dispositivo de policiais de bicicleta e membros de várias agências policiais, incluindo a DEA, a agência antidrogas americana.

Milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Hollywood e Los Angeles, onde o prefeito Eric Garcetti prometeu redirecionar US$ 250 milhões para a saúde e a educação da comunidade negra.

– Lei e ordem –

Apesar de Trump condenar a morte de Floyd, ele adotou um tom severo para se referir aos manifestantes, afirmando que havia “pessoas más” no meio das mobilizações e pediu aos governadores que “dominassem a rua”.

Trump está sob pressão por seus comentários controversos e por quebrar a tradição americana não escrita de que, em casos de crise, o presidente traz uma mensagem de cura para o país.

A tensão aumentou em seu próprio gabinete na quarta-feira, depois que secretário da Defesa, Mark Esper, opôs-se ao uso de uma lei que permitiria que as forças militares fossem às ruas.

Centenas de soldados da Guarda Nacional, um corpo de reservistas, já foram enviados para ajudar a polícia no controle dos protestos, mas Trump propõe apelar para os militares da ativa.

Esper marcou distância dessa proposta e disse que a opção militar deve ser usada como “um último recurso e apenas nas situações mais urgentes e sérias”.

Enquanto isso, o general Jim Mattis, que foi secretário de Defesa de Trump entre 2017 e 2019 e que deixou o governo devido a divergências com o presidente, acusou seu ex-chefe de “dividir” o país.

“Trump foi o primeiro presidente que não tenta unir os americanos, nem pretende tentar”, lamentou o general aposentado.

Trump – que reitera sua mensagem de “Lei e Ordem” – desqualificou as declarações de Mattis, alegando que ele é o general mais “superestimado” do mundo.

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