Ministros do STF querem votação que pode antecipar saída de Bolsonaro da prisão

Integrantes da Corte defendem análise da Lei da Dosimetria; eventual aplicação da norma poderia reduzir período de prisão em regime fechado do ex-presidente

O então presidente Jair Bolsonaro (E), acompanhado do filho, Flávio, ouve uma pergunta durante uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, em 4 de outubro de 2022 - AFP/Arquivos

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que Alexandre de Moraes coloque em julgamento, o mais rapidamente possível, as ações que discutem a constitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria.

A proposta, aprovada pelo Congresso Nacional, prevê mudanças no cálculo de penas e poderá beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (30) pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, integrantes da Corte avaliam que uma definição sobre a legislação poderia reduzir as tensões entre o Supremo e o Senado.

Caso a lei seja considerada constitucional e aplicada à condenação de Bolsonaro, o período que ele deverá cumprir em regime fechado poderá ser significativamente reduzido.

Lei pode reduzir tempo de Bolsonaro no regime fechado

De acordo com cálculos apresentados por juízes e advogados ouvidos pela reportagem, a aplicação da Lei da Dosimetria poderia reduzir o período de prisão de Bolsonaro em regime fechado de aproximadamente sete anos para dois anos e três meses.

Como o ex-presidente já cumpriu quase um ano de pena nesse regime, ele poderia deixar o regime fechado no fim de 2027.

Essa possibilidade, entretanto, depende de uma decisão do Supremo sobre a validade da legislação e de sua aplicação ao caso concreto.

Uma eventual saída do regime fechado não significa necessariamente o encerramento da pena ou a absolvição do ex-presidente.

A mudança poderá envolver progressão para outro regime de cumprimento, conforme os critérios legais.

Ministros avaliam impacto político de uma decisão

Segundo a coluna, três magistrados do STF consideram que a análise definitiva da lei poderia ajudar a diminuir o confronto institucional com o Senado.

A preocupação está relacionada à composição da Casa a partir de 2027, quando parlamentares alinhados ao bolsonarismo terão maior influência.

Levantamento mencionado pela reportagem aponta que pelo menos 49 senadores manifestaram apoio à possibilidade de impeachment de ministros do Supremo.

Para que um integrante da Corte seja destituído, são necessários 54 votos favoráveis no Senado.

Nesse contexto, parte dos ministros avalia que a definição sobre a Lei da Dosimetria poderia reduzir a pressão política sobre o tribunal.

Legislação foi aprovada pelo Congresso e teve vetos derrubados

A Lei da Dosimetria, identificada como Lei 15.402/2026, teve origem em proposta aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em dezembro de 2025.

O presidente Lula vetou dispositivos da legislação, mas o Congresso derrubou os vetos em abril de 2026.

A norma poderia modificar critérios utilizados no cálculo das penas de determinados crimes.

Entretanto, sua aplicação foi suspensa por Alexandre de Moraes em maio.

O ministro entendeu que o plenário do STF deveria analisar primeiro as ações que questionam a constitucionalidade da lei.

Desde então, a discussão permanece pendente de uma decisão definitiva.

Julgamento pode reduzir pressão por anistia

Outra consequência apontada por integrantes do Supremo seria a redução da pressão política por uma anistia aos condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe.

Segundo a reportagem, ministros avaliam que a aplicação de novas regras de dosimetria poderia estabelecer um prazo mais claro para o cumprimento das penas.

A medida também poderia diminuir a pressão pela análise imediata de uma revisão criminal solicitada pela defesa de Bolsonaro.

A revisão criminal é um instrumento jurídico que permite questionar condenações definitivas em situações previstas na legislação.

Diferentemente da progressão de regime, esse procedimento pode envolver a reavaliação de aspectos da condenação.

Decisão depende de julgamento no plenário do STF

A eventual redução do período de prisão de Jair Bolsonaro ainda não foi aprovada pelo Supremo.

Para que isso ocorra, será necessário que a Corte analise a constitucionalidade da Lei da Dosimetria e defina seus efeitos sobre as condenações.

O debate também envolve questões jurídicas relacionadas à proteção da ordem democrática e à responsabilização por ataques às instituições.

Segundo a reportagem, ministros pretendem defender que Alexandre de Moraes leve o assunto ao plenário.

Até o momento, não há uma data oficialmente confirmada para o julgamento.

Da IstoÉ