Ministros de Lula preparam ritmo de campanha para reforçar palanques nos estados

Camilo Santana deve deixar o cargo, e Wellington Dias prevê afastamento para atuar em redutos eleitorais e apoiar aliados

Ministro da Educação, Camilo Santana
Ministro da Educação, Camilo Santana Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se preparam para intensificar a atuação em campanhas eleitorais nos estados, enquanto o Palácio do Planalto organiza a saída temporária de integrantes do primeiro escalão para reforçar palanques regionais. Ao menos dois ministros já foram chamados a atuar diretamente nas articulações.

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O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), deve ser o primeiro a deixar o cargo. A previsão é que ele se afaste da pasta na próxima semana e retorne ao Senado a partir do dia 2.

No Ceará, Camilo deve atuar para fortalecer a candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição. Integrantes do partido admitem preocupação com o desempenho do petista nas pesquisas, em que aparece atrás de Ciro Gomes (PSDB). Levantamento do Datafolha indica Ciro com 47% das intenções de voto, ante 32% de Elmano.

A avaliação de aliados é que o retorno de Camilo ao Senado permitirá dedicação integral à campanha no estado, com potencial para impulsionar o desempenho de Elmano.

Outro ministro que deve se afastar é o do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT). Diferentemente de Camilo, ele deve permanecer formalmente no cargo, mas prevê um afastamento temporário de cerca de 45 dias, alegando motivos pessoais.

Nesse período, Dias deve se dedicar à campanha à reeleição do governador Rafael Fonteles (PT), no Piauí, além de atuar na articulação de candidaturas ao Senado, como as de Marcelo Castro (MDB) e Júlio Cesar (PSD).

Apesar da liderança de Fonteles nas pesquisas, com possibilidade de vitória no primeiro turno, aliados avaliam que a entrada de Joel Rodrigues (Progressistas) na disputa acendeu um sinal de alerta no estado.

As definições sobre os afastamentos devem ocorrer após reunião ministerial prevista para a próxima terça-feira, 31. O encontro será o último de Lula com seus ministros antes do prazo de desincompatibilização eleitoral. A expectativa é que ao menos 21 integrantes do governo deixem seus cargos.

Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) foi, até o momento, o único a antecipar o movimento, ao deixar o ministério no último dia 19.