A pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para o afastamento de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não devem surtir efeitos, pelo menos por enquanto. De acordo com interlocutores da Corte, os ministros devem se blindar em meio à crise do caso Master.
Moraes e Toffoli foram citados em troca de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Moraes supostamente trocou mensagens com o banqueiro no dia 17 de novembro, data em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Há ainda um contrato de R$ 129 milhões assinado entre o Master e o escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.
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Já Toffoli é apontado como sócio oculto de um resort no interior do Paraná que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao banqueiro.
De fato, o silêncio na Suprema Corte é ensurdecedor. Os ministros estão em silêncio e são raras as conversas sobre o assunto entre os servidores dentro da Corte.
“Todos são STF Futebol Clube”, disse um interlocutor da Corte, em referência à frase do ministro Flávio Dino durante a reunião em que Toffoli renunciou ao caso Master.
O primeiro ato de blindagem, inclusive, partiu nesse encontro, quando os dez ministros assinaram uma nota em defesa a Dias Toffoli. Desde então, os ministros têm evitado expor o colega.
Na semana passada, o plenário da Corte celebrou os nove anos de Alexandre de Moraes no STF. Embora o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, tenha feito declarações nos aniversários de todos os magistrados, o discurso adotado na homenagem de Moraes foi de blindagem ao ministro, com elogios pela atuação nos casos do 8 de janeiro e pela tecnicidade nas decisões.