ROMA, 27 JAN (ANSA) – O ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, conversou com o embaixador dos Estados Unidos, Tilman Fertitta, para coordenar o papel dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo.
Segundo o Palácio do Viminale, os agentes da divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) do ICE atuarão em salas de operações em Milão para proteger a delegação americana, sem exercer funções externas de ordem pública.
O governo de Giorgia Meloni acrescentou que os agentes se concentrarão exclusivamente em atividades investigativas durante as Olimpíadas, sem responsabilidades operacionais diretas em território italiano. O grupo terá acesso aos seus próprios bancos de dados e prestará apoio aos demais órgãos envolvidos na segurança do evento.
O Viminale informou ainda que cerca de seis mil agentes do sistema nacional de segurança italiano serão mobilizados para a proteção dos Jogos de 2026.
A decisão das autoridades nacionais não agradou ao prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que solicitou ao governo italiano que reconsidere a presença do ICE no país.
De acordo com o planejamento estabelecido, o grupo utilizará sistemas avançados de vigilância, incluindo drones e dispositivos de monitoramento aéreo, para apoiar atividades de prevenção e controle.
“Peço ao governo que reconsidere, ainda temos tempo. Pelo que parece, Piantedosi nem sabia. Dá a impressão de que a mídia ajudou o ministro a entender que o ICE viria, e isso definitivamente não é bom. Como italiano, antes mesmo de ser cidadão milanês, não me sinto protegido por Piantedosi”, afirmou Sala.
O político acrescentou que a controversa agência dos EUA “é uma milícia que entra nas casas das pessoas” e declarou que o ICE “não se alinha à forma democrática da Itália de garantir a segurança”.
Diante da repercussão, partidos da oposição solicitaram na Câmara dos Deputados um pronunciamento urgente de Piantedosi sobre a presença de agentes do ICE no país. O ministro aceitou o pedido e deverá se manifestar sobre o tema no dia 4 de fevereiro.
O ICE tem sido alvo de críticas internacionais após operações para rastrear e prender imigrantes em situação supostamente irregular nos Estados Unidos. Apenas em janeiro, essas ações teriam culminado na morte de dois cidadãos americanos: a poeta Renée Good e o enfermeiro Alex Pretti. (ANSA).