Ministro diz que acordo UE-Mercosul prejudica italianos

ROMA, 04 JUL (ANSA) – O ministro dos Bens Agrícolas da Itália, Gian Marco Centinaio, fez eco às preocupações dos agricultores do país e afirmou que o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é “desequilibrado em prejuízo de italianos e europeus”.   

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (3), Centinaio afirmou que é favorável à abertura dos mercados, mas disse que não está “satisfeito” com as negociações entre os dois blocos.   

“Somos favoráveis à abertura dos mercados, desde que isso aconteça com um profícuo intercâmbio que não penalize nenhuma das partes”, declarou. O ministro exige o reconhecimento de todas as denominações de origem protegida (DOP) e indicações geográficas protegidas (IGP) italianas.   

Atualmente, a Itália possui 290 produtos DOP e IGP, mas o acordo UE-Mercosul reconhece apenas 57, como os queijos Grana Padano e Parmigiano Reggiano, cujos nomes em italiano não poderão ser usados para batizar itens produzidos em países sul-americanos.   

Apesar disso, as denominações “parmesão” e “grana” continuarão permitidas no Brasil, enquanto os países hispânicos poderão usar o termo “parmesano”. Para evitar confusão, o acordo proíbe as versões sul-americanas de usarem imagens que evoquem uma suposta origem italiana, como bandeiras, monumentos e paisagens típicas.   

Já no caso do Prosecco, célebre espumante da região do Vêneto, mas que também conta com uma variação brasileira, a UE, segundo fontes de Bruxelas, conseguiu obter a gradual remoção do mercado da denominação pré-existente.   

Em sua viagem ao Brasil para a posse de Jair Bolsonaro, em janeiro, Centinaio já havia ironizado produtos brasileiros que remetem à Itália. “Sonoridade italiana no Brasil? Não, obrigado! Apenas ‘made in Italy'”, escreveu no Twitter. Em outro post, o ministro fotografou produtos brasileiros que reproduzem as cores da bandeira italiana em seus rótulos.   

Agricultores – No fim da semana passada, a Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti), que representa o setor agrícola na Itália, já havia criticado o acordo entre UE e Mercosul.   

Apesar de as negociações terem durado 20 anos, a entidade disse que o tratado é fruto de um “compromisso intempestivo”, já que as instituições europeias serão renovadas nas próximas semanas, como resultado das eleições comunitárias de 23 a 26 de maio.   

“Depois do maior escândalo mundial de carne avariada, que envolveu o Brasil, o que preocupa é a liberalização da entrada nas fronteiras europeias de um contingente subsidiado de carne bovina e de uma significativa quantidade de aves, com graves preocupações pelo aspecto sanitário”, afirmou a entidade.   

A Coldiretti ainda ressaltou que existem “graves acusações de risco alimentar e exploração de trabalho infantil” nos quatro países do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A associação também cita a aprovação recorde de agrotóxicos no governo Bolsonaro.   

“No Brasil, desde o início do ano, foram aprovados mais 211 pesticidas [239, segundo a última atualização], muitos dos quais são proibidos na Europa”, disse o comunicado, cobrando que todos os produtos em circulação na UE respeitem os mesmos critérios.   

(ANSA)