BERLIM, 4 FEV (ANSA) – O ministro italiano da Agricultura, Soberania Alimentar e Florestas, Francesco Lollobrigida, destacou o papel de seu país na concretização do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Segundo ele, o resultado do texto final não foi “bom, mas ótimo”.
“Acordos comerciais internacionais são sempre vantajosos para um país exportador [como a Itália]. Sabíamos disso desde o início e concretizamos a parceria com negociações decisivas lideradas pela Itália, resultando em um ótimo acordo, já que um bom não nos bastava”, disse Lollobrigida nesta quarta-feira (4) durante um evento na Alemanha ao reforçar a decisão final do governo de Giorgia Meloni em aderir ao tratado.
O ministro explicou que o acordo UE-Mercosul “é um bom negócio” que foi feito através de “dois pilares”.
“O primeiro é que asseguramos a resiliência das nossas empresas, com dez bilhões [de euros] para a Itália em políticas comuns. Sem esse dinheiro, nossas companhias teriam dificuldades em manter a competitividade. O segundo é que há garantias para o setor agrícola com o princípio da reciprocidade”, explicou Lollobrigida.
Aos críticos da proposta, ele lembrou que “após as negociações, não só recuperamos todos os recursos que haviam sido cortados inicialmente, como também obtivemos um bilhão [de euros] adicional”.
Em dezembro, a premiê Meloni atrasou a votação do tratado comercial na UE, mas ela acabou convencida por um robusto pacote de garantias apresentado por Bruxelas, incluindo a possibilidade de suspender as isenções tarifárias caso haja uma variação superior a 5% nas importações e nos preços de produtos agropecuários do Mercosul, como carne bovina, aves, arroz, mel, ovos, alho, etanol e açúcar.
A Itália também foi tranquilizada por um fundo de compensação de 6,3 bilhões de euros, controles fitossanitários mais rígidos, isenções tarifárias para fertilizantes e a destinação de mais 45 bilhões de euros em subsídios ao agro no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) do bloco.
O acordo UE-Mercosul, assinado em 17 de janeiro no Paraguai, criará uma área de livre comércio com 31 países e mais de 700 milhões de consumidores. (ANSA).