Ministério Público conclui que houve omissão de socorro em caso no Pico Paraná

Thayane Smith, amiga da vítima, teria o abandonado intencionalmente e poderá ser penalizada

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O Ministério Público do Paraná (MPPR) concluiu, após uma análise técnica, que houve omissão de socorro no caso de sumiço do jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que havia desaparecido após ser deixado sozinho na descida de uma trilha, no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba.

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O crime teria sido cometido por Thayane Smith, amiga de Roberto, que estava com ele durante a realização da trilha, mas acabou o deixando para trás. Eles subiram a montanha no dia 31 de dezembro de 2025 no intuito de verem o nascer do sol. O desaparecimento ocorreu na descida, no primeiro dia de 2026.

A compreensão do MPPR se estabelece a partir da análise dos fatos e depoimentos fornecidos. Mesmo depois de Thayane reconhecer que Roberto estaria suscetível a prováveis riscos, a garota optou por não ajudar nas buscas, supostamente demonstrando interesse apenas em seu próprio bem-estar.

Na manifestação, o Ministério Público declara que a conduta da investigada “reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima (que já havia vomitado e caminhava com dificuldade), das condições perigosas do local (eis que se tratava de trajeto difícil, com montanhas altas, com chuva, frio e neblina) e, ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”.

O que vai ocorrer agora

A Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul realizou a solicitação do envio do processo ao Juizado Especial Criminal da comarca e propôs a realização de transação penal com a investigada. Roberto poderá ser ressarcido com o valor de até três salários mínimos, assim como também é proposto o pagamento de “prestação pecuniária” no valor de R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsáveis pelas buscas. Thayane ainda deve prestar serviços à comunidade.