A mina peruana de cobre Las Bambas, explorada pela chinesa MMG e que é responsável por cerca de 2% do volume mundial do metal, suspendeu, nesta quarta-feira (1º), suas operações pelos bloqueios de vias no Peru que exigem a renúncia da presidente Dina Boluarte.
“No dia de hoje, estão sendo paralisadas totalmente as atividades em Las Bambas”, disse Erick Ramos, secretário-geral do sindicato de trabalhadores de Las Bambas em declarações à rádio RPP, após destacar que “são 8.500 trabalhadores que estão ficando à deriva”.
A suspensão da produção foi confirmada à AFP por fontes da companhia, que garantiram que efetivamente “não há produção de cobre” e que a usina “entrou em modo de cuidado e manutenção”.
“As condições não mudaram, os bloqueios continuam e os insumos não chegam”, explicaram as fontes da companhia.
“Estamos atravessando esta situação [de bloqueio de vias] desde o ano passado. Desde dezembro, e até a data de hoje, não há abastecimento [de insumos] e isso fez com que a operação começasse a se reduzir desde então”, explicou Ramos.
Nesta quarta, completam 21 dias de bloqueio de vias no distrito de Condoroma, na província de Espinar em Cusco, que afetou a capacidade de abastecimento de insumos e transporte de produção das minas de Las Bambas (MMG), Antapaccay (da suíça Glencore) e Constancia (da canadense Hudbay Minerals).
Las Bambas anunciou na segunda-feira que suspenderia suas operações se continuassem os bloqueios de vias no Peru, que não permitem a entrada de insumos para a mina, situada na região andina de Apurímac.
Em um comunicado, a mineradora assinalou que “as interrupções do transporte continuam por várias semanas em todo o Peru, [e] provocaram grandes distúrbios na região sul do país, afetando as operações de mineração ao longo do Corredor Viário Sul”.
Os bloqueios de rotas começaram depois da destituição e detenção do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo em 7 de dezembro após tentar dissolver o Congresso. Ele foi substituído pela vice-presidente Boluarte.
Em sete semanas, a crise política e social deixou 48 mortos em cidades do sul e em Lima. Além disso, por acidentes e incidentes vinculados a bloqueios em diversas rotas do país, morreram outras dez pessoas.
Las Bambas, situada a 4.000 metros de altitude, representa cerca de 15% da produção de cobre do Peru, o segundo maior produtor do mundo depois do Chile, e representa 1% do PIB peruano.
Seu volume de produção, de quase 400.000 toneladas, equivale a 2% do total mundial do metal, segundo dados da Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia do Peru.
A mina foi adquirida pelo consórcio chinês MMG da suíça Glencore em abril de 2014, por quase 6 bilhões de dólares.