Semanal

Militares protestam contra falta de punição a Pazuello

Crédito: Sérgio Lima/ AFP

A decisão do Comando do Exército de não punir o general Eduardo Pazuello por ter participado de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, tomada nesta quinta-feira, 3, irritou oficiais influentes e de alta patente da caserna. Antigo aliado de Bolsonaro, o general da reserva, Paulo Chagas, disse que o comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, Bolsonaro e Pazuello “estão colaborando para a desmoralização da instituição”. Chagas também ressaltou que a decisão pode acabar com a disciplina típica das Forças Armadas. “Lamento a decisão. Está aberto o precedente para que a política entre nos quartéis. A disciplina está ameaçada”, afirmou o general.

Para o general, “presidente, o comandante e o general Pazuello estão contribuindo para a desmoralização e para a queda do prestígio conquistado pelo Exército Brasileiro. Esta decisão põe em risco a autoridade do comandante, por quem tenho grande apreço”, acrescentou Paulo Chagas.

Em nota, o Comando do Exército informou que acolheu os argumentos apresentados por Pazuello e diz ter entendido que não houve transgressão ao regimento interno da instituição. O regimento do Exército, no entanto, proíbe claramente a participação de qualquer oficial da Força em eventos políticos de qualquer natureza, sob risco de sofrer punições que variam de advertência à prisão.

Pazuello passou ileso de sanções mesmo depois de ter ido a um ato político ao lado do mandatário no Rio, em 23 de maio. O general estava no meio de uma aglomeração e sem máscara, poucos dias após ter defendido o uso da proteção na CPI da covid-19. Ele é um dos principais alvos da comissão. Nesta semana, Pazuello foi nomeado para um cargo de confiança ligado à Presidência. Será secretário de Assuntos Estratégicos e terá salário de R$ 16 mil. Com essa nomeação, Bolsonaro deixou claro que não aceitaria nenhuma advertência ao seu ex-ministro da Saúde, desafiando os militares que desejavam uma punição exemplar. Desde o início disse que ele era o chefe do Exército e que não aceitaria ter seu poder posto em xeque. O Exército, portanto, cedeu às pressões do presidente e criou nova crise no meio militar.

 

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