Semanal

Militares espalhavam fake news sobre Amazônia, diz Facebook

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“Esse Exército não serve para nada”, dizia a cantora Nara Leão na década de 1960. Um relatório do Facebook confirma que não é bem assim. Eles servem para muitas coisas: defender as fronteiras brasileiras, ceder indivíduos para o governo Jair Bolsonaro e, segundo a rede social, espalhar fake news sobre a Amazônia.

O Facebook derrubou contas e perfis falsos de oficiais do Exército alegando que eles haviam montado uma verdadeira rede de desinformação para publicar posts inverídicos sobre questões ambientais, principalmente assuntos sobre a região amazônica. A Meta, empresa que controla a rede social, cancelou 14 perfis falsos e nove páginas, além de 39 contas no Instagram, muitas delas também conectadas ao Twitter. Ao todo, reuniam cerca de 25 mil seguidores. Segundo a companhia, os perfis e páginas apresentaram “comportamento inautêntico coordenado”, eufemismo para dizer que atuavam juntos em campanhas de desinformação desde 2020. O movimento foi confirmado pela empresa independente Graphika, que monitora o comportamento online.

Mas o que faziam esses oficiais do Exército? Além de divulgar informações incorretas sobre desmatamento e elogiar o governo federal, atacavam a credibilidade de ONGs que atuam na Amazônia, colocando os internautas contra essas organizações. Diante desse episódio, vale a pena perguntar: será que esses oficiais do Exército não tinham nada melhor para fazer com seu tempo?

O Facebook não divulgou o nome dos oficiais. Em comunicado, o Exército informa que não tem envolvimento com o episódio e que ficou sabendo do caso pela imprensa. Descobrir que o Exército brasileiro não sabe o que os seus oficiais fazem pode ser ainda pior do que espalhar as tais fake news. A declaração oficial diz: “A instituição requer de seus profissionais o cumprimento dos deveres militares, tais como o culto à verdade, a probidade e a honestidade”. Se essa afirmação é verdadeira, os responsáveis devem ser responsabilizados e punidos.