Militantes de extrema direita são julgados na Áustria por ‘ideologia racista’

Militantes de extrema direita são julgados na Áustria por 'ideologia racista'

Vários militantes do Movimento Identitário da Áustria, um grupo de extrema direita contrário à imigração, começaram a ser julgados em Graz (sul) nesta quarta-feira (4), por pertencerem a uma “organização criminosa” dedicada à “difusão de uma ideologia racista”.

O julgamento deve durar até o final do mês.

Dez responsáveis e sete militantes do grupo, de entre 20 e 35 anos, são acusados de “organização criminosa”. Vários deles também são acusados de “incitação ao ódio” e “atentados contra bens”.

Segundo a acusação, os crimes foram cometidos durante “ações provocativas”, “com frequência espetaculares”, lançadas pelos membros desse pequeno grupo “para difundir sua ideologia racista”.

Os promotores citam como exemplo a invasão de membros do grupo, em abril de 2016, no prédio que abriga o partido dos Verdes de Graz, onde pregaram um cartaz com a frase “A islamização mata”.

Em março de 2017, repetiu-se a ação na embaixada da Turquia em Viena, com um cartaz que dizia: “Erdogan, leve seus turcos para casa”.

Em junho de 2016, interromperam uma conferência sobre política migratória na universidade de Klagenfurt (sul), enquanto gritavam frases como “A imigração é uma mentira”.

Os membros do grupo “se aproveitam do medo crescente na sociedade austríaca e dos ataques terroristas islamistas radicais para assimilar o Islã em geral com o terrorismo islamista, e os muçulmanos com terroristas em potencial”, afirma a Procuradoria.

A Áustria é governada desde dezembro de 2017 por uma coalizão dos conservadores do OVP e do partido de extrema direita FPO, cujos responsáveis condenam, regularmente, a forma de agir desse movimento.

Vários jornais documentaram, porém, os vínculos em nível local entre alguns membros do FPO e do Movimento Identitário.