Milionários da Mega-Sena: 44 malandros ou férias merecidas

Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

(Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Há negócios que mais parecem um antro, e há funcionários que mais parecem bilontras. E sim: a recíproca, desde que inversamente proporcional (patrões e funcionários em perfeita harmonia), é verdadeira, e o caminho para o sucesso coletivo.

Fui sócio de uma média empresa durante quinze anos – hoje sou um pequeno empresário e olhem lá – e posso afirmar que fiz parte do segundo grupo, em que todos buscam o mesmo objetivo e sentem-se recompensados ao final – financeiramente e pessoalmente falando.


Quem disse? Bom, o próprio quadro de pessoal, que permaneceu praticamente inalterado durante todo esse período. E os colaboradores que saíram, o fizeram por motivos alheios à nossa relação comercial. Todos, sem exceção!!, são queridos amigos até hoje.

EXEMPLOS

Eu tive dois gurus ao longo dos meus primeiros anos de trabalho. Um para o bem. O outro para o mal. Com ambos aprendi o que era certo e o que era errado. Aprendi que a famosa teoria marxista, Capital x Trabalho, se não fosse equilibrada, resultaria em fiasco.

No lado pessoal, graças à minha personalidade e do meu sócio, o clima de respeito e solidariedade era máximo. Além disso, por características próprias, sempre fomos descentralizadores, o que motivava a todos a busca pelo melhor trabalho.

Tive sorte, também, no início da minha carreira, de presenciar o nascimento e o fabuloso crescimento de algumas empresas a que atendia – eu era da área comercial. Assim, quando fui dono do meu próprio negócio, apenas reproduzi o modelo destas.

MEGA-SENA

O bolão milionário da Mega-Sena que premiou cerca de quarenta funcionários de uma mesma empresa de Santos, no litoral paulista, trouxe, além de fortuna aos vencedores, uma crise entre estes e seus colegas, e um abalo à própria companhia em que trabalham.

Os funcionários que não participaram do bolão resolveram divulgar os nomes e até mesmo os telefones dos ganhadores. Por quê? Sei lá. Além disso, absolutamente todos os sortudos deixaram de ir trabalhar desde então, desfalcando e prejudicando seriamente o negócio.

Ainda que não tenham ficado ricos para valer, quero dizer, que não poderão simplesmente parar de trabalhar, já que o prêmio individual talvez não seja suficiente para tanto, o pessoal ‘chutou o balde’ e mandou a empresa e suas respectivas responsabilidades às favas.

AMBIENTE HOSTIL

Ora, houvesse uma relação de respeito e mínima consideração pela direção da empresa, e houvesse um histórico positivo em relação às condições de trabalho, ambiente de negócios e remuneração correta, provavelmente isso jamais teria acontecido.

No Brasil, infelizmente, há extrema precarização do trabalho por parte dos empresários. Lado oposto, boa parte dos empregados não faz por merecer, seja por deficiências involuntárias (baixa escolaridade, pouca produtividade, etc) ou mesmo propositais.

Além disso, a legislação trabalhista, o Ministério Público do Trabalho e a própria Justiça, ao lado de sindicatos fisiologistas e aparelhos políticos, contribuem sobremaneira para o caos, pois são abusivos, excessivos, autoritários, injustos e contraproducentes.

DISCUTINDO A RELAÇÃO

Jogando na defensiva, portanto, esperando sempre pelo pior, muitos empresários optam pelo desleixo na relação com seus colaboradores, e estes, com certa razão, devolvem na mesma moeda, formando um círculo vicioso e perverso de ‘perde x perde’.

Se um funcionário meu, à época, ganhasse na mega-sena, tenho certeza que não apenas iria trabalhar – ainda que bêbado, hehe – como faria questão de dividir sua alegria com todos. Se iria ou não continuar no emprego, aí são outros quinhentos milhões de dólares.

Agora, se estes trabalhadores de Santos não foram, certamente têm suas razões. Não os culparei ou os condenarei pelo desrespeito a colegas, patrões e clientes, pois seguramente há motivos de sobra para tamanho desleixo e falta de consideração por todos.

DE QUEM É A CULPA

É um caso que deveria servir de lição, e até mesmo de ‘benchmarking’, para muitos empresários e novos empreendedores. Muito mais que tratar bem um colaborador e lhe dar bom ambiente e boas condições de trabalho, a remuneração justa e adequada é essencial.

Respeito é bom e todos gostam. E viver dignamente e realizar sonhos, também. Se há funcionários nas empresas que não merecem tais premissas, a culpa não é deles. É de quem os contratou e, até então, não os demitiu, preferindo pagar pouco e tratá-los mal.

Assim, quando o troco vier à galope, que não reclamem. Por fim, antes de sair dizendo que ‘brasileiro é tudo vagabundo’ e tal, saibam que a mesma situação se repete com frequência por todo o mundo. É algo comum aos seres humanos sortudos e milionários. Ai, que inveja!





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MEGA-SENA

Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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