ROMA, 22 JUN (ANSA) – Milhares de pessoas se reuniram em Latina, no centro da Itália, para protestar contra a morte de Satnam Singh, imigrante indiano de 31 anos que faleceu após ter tido o braço decepado e as pernas quebradas por uma máquina agrícola.   

O ato foi organizado pela Confederação-Geral Italiana do Trabalho (Cgil), principal sindicato do país, e também contou com lideranças da oposição, como os secretários do Partido Democrático (PD), Elly Schlein, e da Aliança Verdes e Esquerda (AVS), Nicola Fratoianni.   

Durante a manifestação, Schlein prometeu apresentar um projeto para combater o problema crônico do trabalho irregular de imigrantes nos campos italianos.   

“A irregularidade, como nos ensina esse homicídio, causa precariedade, exploração e chantagens contra pessoas como Satnam Singh”, disse a líder de centro-esquerda.   

Singh vivia na Itália com a esposa havia três anos e trabalhava sem registro em uma empresa agrícola na província de Latina.   

No início da semana, teve o braço decepado por uma máquina de enrolar plástico ligada a um trator, que também fraturou suas pernas. Em vez de chamar socorro, os patrões de Singh o largaram diante de casa com o membro mutilado dentro de uma caixa de frutas e fugiram.   

O imigrante chegou a ser levado depois de helicóptero para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na última quarta (19).   

“Um jovem trabalhador imigrante morreu sem socorro e assistência após o enésimo trágico acidente de trabalho, uma forma de trabalho que se manifesta com traços desumanos e que se insere na exploração dos frágeis e indefesos”, disse o presidente Sergio Mattarella durante um evento neste sábado, em Solferino, no norte da Itália.   

O patrão de Singh, Antonello Lovato, de 37 anos, é investigado por homicídio culposo, omissão de socorro e violação das normas de segurança. Já seu pai, Renzo Lovato, culpou o próprio imigrante pela morte. “Eu tinha avisado ao trabalhador para não se aproximar da máquina, mas ele foi mesmo assim. Uma irresponsabilidade, infelizmente, que custou caro para todos”, afirmou. (ANSA).