Javier Milei ataca Lula novamente e o chama de “ladrão” e “corrupto”

Declarações do líder ultraliberal argentino intensificam crise diplomática com o Brasil, que já havia convocado embaixador

Javier Milei ataca Lula novamente e o chama de "ladrão" e "corrupto"

BUENOS AIRES — O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no último domingo (2), chamando-o de “ladrão” e “corrupto” em uma entrevista concedida na capital argentina.

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O que aconteceu

  • Javier Milei voltou a atacar o presidente Lula, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”.
  • As declarações do ultraliberal argentino reforçam uma crise diplomática já existente entre Brasil e Argentina.
  • Lula, por sua vez, lançou sua campanha para disputar o quarto mandato presidencial nas eleições brasileiras de outubro.

As novas declarações de Milei reforçam as críticas que já haviam provocado uma crise diplomática entre os dois países na semana passada. “Ele é ladrão, é corrupto; foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, então é verdade que podemos falar dele como um ex-presidiário”, afirmou o presidente argentino em entrevista ao canal LN+.

O ultraliberal retomou os ataques feitos no fim de semana anterior, quando chamou o petista de “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista” durante um comício em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, filho do ex-mandatário do Brasil Jair Bolsonaro. Em resposta, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e convocou o diplomata argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar seu “descontentamento”.

A retórica de Milei é uma estratégia política?

Posteriormente, o governo argentino tentou minimizar o episódio, sustentando que as divergências entre os dois presidentes são de “natureza ideológica e política”. Para o chanceler argentino, Pablo Quirno, do ponto de vista de Buenos Aires, “não há absolutamente nenhuma possibilidade de rompimento da relação diplomática”. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, à frente da China.

De volta ao poder desde 2023, Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, lançou ontem sua campanha para disputar um quarto mandato nas eleições presidenciais brasileiras de outubro, afirmando estar com “excelente saúde”.

Já Javier Milei, de 55 anos e presidente desde dezembro de 2023, tem falado cada vez mais abertamente sobre uma eventual candidatura à reeleição em 2027, embora ainda não tenha oficializado sua intenção. “Estou competindo contra mim mesmo”, repetiu diversas vezes nas últimas semanas — e novamente no domingo — ao destacar os resultados de sua política de austeridade para conter a inflação e minimizar a ameaça representada pela oposição peronista nas próximas eleições.

Lula foi libertado por falha processual ou inocência?

Questionado sobre sua aparente “agressividade” em relação ao presidente brasileiro, Milei respondeu: “Você não acha agressivo quando alguém rouba de você? Chamar um ladrão de ladrão é muito menos grave do que o ato de roubar em si. Ele foi libertado devido a um erro processual, não porque seja inocente. Portanto, ele é um ladrão e corrupto”, insistiu.

Lula ficou preso por 580 dias, entre 2018 e 2019, após ser condenado por corrupção em processos da Operação Lava Jato. Posteriormente, suas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por questões processuais e pela conclusão de que o então juiz Sergio Moro atuou com parcialidade.

“Faço isso porque sou um defensor dos ideais de liberdade”, acrescentou Milei, referindo-se às suas críticas frequentes a governos de esquerda e de centro-esquerda na América Latina e em outras regiões.