Milei anuncia medidas para reafirmar soberania sobre “Malvinas”

Presidente argentino impõe sanções a petroleiras estrangeiras e planeja base naval na Terra do Fogo, reacendendo disputa com Reino Unido

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O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta quinta-feira um pacote de medidas contundentes para reafirmar a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas. As ações incluem sanções a petroleiras estrangeiras que atuam na região e a construção de uma base naval na Terra do Fogo, no extremo-sul do país.

  • O governo argentino intensifica a disputa pelas Malvinas com medidas econômicas e militares.
  • Sanções serão aplicadas a petroleiras estrangeiras e uma base naval será erguida na Terra do Fogo.
  • Milei busca formar uma “frente unida” nacional e critica a postura do Reino Unido na questão.

Em pronunciamento transmitido em cadeia nacional, ao lado de todo o ministério, Milei afirmou que o Reino Unido está em condições de extrair petróleo “que jaz sob o mar argentino” e prometeu que “não o permitirá”.

“Os ilhéus não têm direito à autodeterminação”, afirmou o presidente, referindo-se aos habitantes das ilhas, que Londres administra como território ultramarino com o nome de Falklands.

O ultraliberal disse que o governo argentino mobilizará “todas as ferramentas do Estado, diplomáticas, econômicas, judiciais e legais, para dissuadir os atores estatais e não estatais que violentem a soberania” argentina sobre o arquipélago. Segundo ele, a chancelaria já enviou “cerca de 180 notas de desestímulo a empresas e a 29 países envolvidos em projetos nas nossas ilhas”.

Argentina adota estratégia multifacetada para reivindicar soberania

Milei também anunciou um decreto para acelerar sanções com base em uma lei que proíbe a exploração de hidrocarbonetos na Plataforma Continental Argentina sem autorização do país. A norma prevê penas de inabilitação de cinco a 20 anos para empresas e pessoas físicas que descumprirem as regras.

O presidente ainda firmou um decreto para “ampliar os recursos do Ministério da Defesa com o objetivo prioritário de construir uma base naval na Terra do Fogo e reforçar as capacidades de comunicação” na região.

Com eleições presidenciais programadas para 2027, Milei convocou a “liderança política, econômica e social” do país a formar uma “frente unida” em prol das Malvinas. “Que coloquemos nossas armas de lado e mostremos uma frente unida diante do mundo, como nação e como sociedade. Há causas que estão acima de qualquer diferença política, e as Malvinas são uma delas”, salientou.

Por que a posição dos Estados Unidos e do Reino Unido é crucial?

O ultraliberal também mencionou que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou uma possível revisão da postura americana de neutralidade em relação às ilhas, além de afirmar que o Reino Unido enfrenta um “caminho de declínio”, enquanto o futuro da Argentina “é florescente”.

Em resposta, o secretário da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, escreveu na rede social X que as Malvinas “são britânicas” e que o compromisso de Londres com as ilhas é “absoluto e inabalável”.

“A declaração de Milei nos diz mais sobre a política interna argentina do que sobre as Ilhas Falkland. As Falklands são britânicas porque os habitantes das Falklands escolhem ser britânicos”, afirmou Streeting. (Da IstoÉ com ANSA)