Semanal

Mil dias de estupidez

Mil dias de estupidez

Difícil pensar em mil dias piores do que esses vividos sob a presidência de Jair Bolsonaro. São somente decepções e tentativas de destruição programada. E tudo coroado com uma persistente grosseria e uma completa falta de sensibilidade. Diariamente somos atingidos com um torpedo de boçalidade vindo do Palácio do Planalto.

Com a inegável contribuição de Bolsonaro, foi possível aumentar a fome no País, disparar a inflação, incrementar os incêndios na Amazônia e no Pantanal, elevar em pelo menos 30% do número de mortes na pandemia e transformar o kit Covid em política de governo, entre outras atrocidades.

Desde que assumiu o poder, Bolsonaro só trata de ameaçar a democracia e criar conflitos com os outros poderes. Também faz parte de seu plano macabro proteger os filhos, cada vez mais enrolados com rachadinhas e fake news, a qualquer custo, mesmo que para isso precise implodir o País.

Os mil dias de governo de Bolsonaro equivalem a 100 anos de solidão. Nunca fomos tão tristes. Tirando o grupo de malucos que o acompanha cegamente no seu tortuoso raciocínio ditatorial, ninguém no Brasil consegue tirar uma mínima lição positiva do atual governo.

O que Bolsonaro propõe é um enfrentamento permanente contra quem não pensa como ele. Na sua fúria narcisista só consegue olhar para os interesses de seguidores perturbados que acham que dissolver políticas sociais e acabar com a transparência dos serviços públicos é algo louvável.

É a mesma turma que aplaude quando Bolsonaro não usa máscara ou quando promove aglomerações em vários cantos do Brasil. Ou quando ele diz que todo cidadão brasileiro “de bem” deveria andar armado.

O principal objetivo de Bolsonaro é manter os brasileiros democratas sob tensão permanente, ansiosos e temendo uma ruptura institucional. Em quase três anos de governo, foi só o que ele fez. Seu negócio é tumultuar.

Sua estratégia obscurantista é desconstruir tudo que foi feito a partir da Constituição de 1988, perseguir minorias e fortalecer o racismo estrutural. Qualquer sinal de avanço comportamental ou social para o presidente é algo a ser combatido.

O que Bolsonaro pretende é transformar o Brasil numa teocracia militarizada. E, com grande truculência e uma ignorância abissal, ele vai avançando nos seus objetivos desviantes. Realmente não há nada para festejar no atual governo. São mil dias de inoperância e estupidez.