Comportamento

Migrantes mexicanos deportados mantêm viva a tradição do Dia de Ação de Graças

Migrantes mexicanos deportados mantêm viva a tradição do Dia de Ação de Graças

Tradição se mantém - AFP

Sem rancor e com saudade dos que ficaram para trás, migrantes mexicanos deportados dos Estados Unidos comemoram o Dia de Ação de Graças, o principal feriado do país para o qual partiram um dia em busca de um futuro melhor.

Cerca de vinte deles, entre os quais vários ‘dreamers’ (sonhadores), pessoas que chegaram à potência norte-americana ainda crianças, reuniram-se na quarta-feira à noite num terraço privado para desfrutar da festa, que se celebra na quarta quinta-feira de novembro.

Junto com alguns mexicanos-americanos que retornaram voluntariamente, eles fazem parte de uma comunidade instalada na capital.

A festa é famosa pelo suculento banquete de peru recheado, purê de batata e torta de abóbora, mas também pelas discussões familiares em torno da mesa, dominadas nos últimos anos pela polêmica figura do presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump.


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“No México (…) celebramos experiências, agora divididas, que lá aprendi e as relembro aqui. É como uma volta no tempo”, disse à AFP Carmen Rodríguez, deportada da Carolina do Norte há quase quatro anos.

Como esta comerciante de 52 anos, outros deportados que foram separados de parentes por leis de imigração durante a administração Trump, ou administrações anteriores, ficam nostálgicos neste período.

“Celebrar o Dia de Ação de Graças aqui assume outro significado porque é o jantar que me liga à minha família que está lá e me traz lembranças”, diz Faustino Alanís, 31 anos.

Durante quatro anos, membros da organização de deportados New Comienzos, com sede em um bairro central da capital mexicana, se reuniram para passar juntos o que é conhecido coloquialmente como ‘Dia do Peru’.

Este ano, o feriado é marcado pela pandemia de covid-19, que limita as reuniões sociais, e também pelas recentes eleições que deram a vitória ao democrata Joe Biden.

“É um dia para celebrar a amizade, a família, e não importa em que país você esteja. Principalmente nesses tempos de pandemia, de eleições nos Estados Unidos (…), há muito o que comemorar”, diz Israel Concha, fundador da organização.

Esses repatriados fazem parte de uma população crescente de mexicanos que passou toda ou a maior parte de suas vidas nos Estados Unidos sem residência legal antes de retornar ao México e que agora procuram se integrar ao seu país de origem.

De acordo com o Ministério do Interior, no primeiro semestre deste ano quase 89 mil mexicanos foram deportados dos Estados Unidos.

Doze milhões de pessoas nascidas no México e 26 milhões de segunda ou terceira geração vivem no país vizinho.

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