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Michellegate

Acuada, Michelle Bolsonaro parte para a ofensiva e reclama na polícia contra a Banda Detonautas. No entanto, o resultado tem se mostrado um tiro no pé. Após a queixa da primeira-dama, a música “Micheque” subiu de 700 mil visualizações para mais de 2,3 milhões

Crédito: Leo Correa/AP Photo

SUSPEITAS Todo mundo quer saber por que Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro (Crédito: Leo Correa/AP Photo)


O vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, materializou em música aquilo que todo mundo no Brasil quer saber. Por que Fabrício Queiroz fez tantos depósitos na conta de Michelle Bolsonaro. Foram 27 cheques que totalizam R$ 89 mil. “Hey Michelle, conta aqui pra nós. A grana que entrou na sua conta é do Queiroz?”, questiona a música “Micheque”. O assunto já estampou as páginas dos principais jornais e revistas brasileiras, mas agora está ganhando espaço no impiedoso tribunal da internet. Os internautas querem saber de onde vêm as transações financeiras e não perdoam o envolvimento da família Bolsonaro com o ex-assessor de Flávio Bolsonaro e que está preso como um dos integrantes de um grande esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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O ex-policial Queiroz foi preso quando estava refugiado em um sítio de Atibaia pertencente ao advogado Frederick Wassef, que trabalhava para Flávio e para o presidente. Hoje, Queiroz está em prisão domiciliar no Rio de Janeiro.

Contrariada com a repercussão, Michelle foi à Delegacia de Crimes Eletrônicos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo, na quinta-feira da semana passada. Ela precisou comparecer à polícia porque é o procedimento exigido em caso de denúncias de crimes contra a honra. No pacote de lamúrias da primeira-dama estão jornalistas, políticos e artistas. No caso da Banda Detonautas e Tico Santa Cruz, o tiro saiu pela culatra. Não podia ser pior. A reclamação de Michelle promoveu a música. De 700 mil visualizações antes da queixa, o clip subiu para mais de 2,3 milhões de acessos, apenas no Youtube. Nas demais mídias sociais, os números são ainda mais expressivos: em torno de 10 milhões de usuários embalaram comentários para comentar a música “Micheque”.

Música da discórdia

Tico contou que já tinha a melodia pronta para a música, mas a inspiração para a letra ele teve no dia em que Bolsonaro ameaçou de “encher de porrada a boca de um jornalista” em Brasília. “Corremos para gravar, mixar e produzir. É uma letra direta, bastante inocente. Mas, depois da tentativa de censura feita pela primeira-dama, ela disparou”, conta o músico. Ele diz que tomou muito cuidado para não ultrapassar os limites legais. Chegou a consultar um advogado e diz estar devidamente respaldado. Tico reafirma a importância da música e dos artistas exporem suas opiniões. “É importante que a sociedade esteja atenta sobretudo em relação aos que nos governam. Concordo com a Michelle de que ela está numa posição delicada. Mas ela precisa cobrar é o presidente. Saber porque esses depósitos foram feitos na conta dela. De certa forma, ela está sendo usada”, afirmou o cantor.

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Ataque à honra é o que alegam o defensores de Michelle. “Vejo como natural ela se sentir ofendida”, argumentou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), um dos aliados do governo. Trad diz ainda que as irregularidades cometidas pela primeira-dama surgiram antes de Bolsonaro tomar posse e que o presidente já explicou tudo. “Houve uma transação entre duas pessoas. Não há mais o que explicar, nem há um caminho para investigação”, disse o senador. No entanto, Trad não conseguiu explicar, porém, porque Bolsonaro admitiu que o empréstimo a Queiroz era de R$ 40 mil e a primeira–dama recebeu R$ 89 mil. “Aí tem que perguntar ao presidente”, desconversou Trad. Já o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) pensa diferente. Diz que ele foi o primeiro a assinar um pedido de CPI, atendendo pedido do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), para investigar os cheques de Michelle. “Não conseguimos as 27 assinaturas necessárias para protocolar a CPI, mas quem não deve não teme”, disse Kajuru. No entanto, o senador pensa que a primeira-dama seja apenas uma vítima na história.

Além dos ataques que tem recebido nas redes por causa dos depósitos de Queiroz, Michelle tem sido alvo de críticas também da própria família. Quando sua avó de 80 anos faleceu por Covid-19 no último dia 12, seu primo, o youtuber Eduardo D´Castro, acusou a primeira- dama de abandonar a avó. “Obrigado por você não ter feito absolutamente nada por nossa avó. Tanto poder, tanta influência e por vergonha, sim vergonha, não ajudou seu próprio sangue”, escreveu o primo na internet. O próprio primo divulgou o que seria a resposta de Michelle às suas críticas: “Deixa de ser cretino. Cuidado com as postagens seu moleque”, reagiu a primeira-dama. O fato é que a avó de Michelle vivia na favela Sol Nascente, na periferia de Brasília, e não teve maior atenção da família presidencial.

Bruno Kaiuca (Crédito:Bruno Kaiuca/)

Mudando o perfil

Nem mesmo a gradual mudança na aparência de Michelle consegue disfarçar o incômodo vivido por ela nos últimos dias. No lugar das aparições mais descontraídas que sempre marcaram suas poses em fotografias oficiais, a primeira-dama agora procura dar um ar mais sério. Ela cortou e deixou os cabelos mais escuros. E até alguns procedimentos estéticos, desde o arqueamento das sobrancelhas à troca de silicones, foram realizados. As roupas, já discretas, mas um pouco mais justas, deram lugar agora a um estilo mais palaciano e menos jovial. A assessoria do estilista Ricardo Almeida confirma que ele foi escalado para “repaginar” as roupas da esposa do presidente “A Michelle é uma pessoa educada, bonita e elegante, Por isso, o Ricardo achou pertinente que ela usasse nossas roupas”, explica a assessoria do estilista. Entretanto, todos os artifícios usados por Michelle para garantir-lhe a pompa da liturgia do cargo caem por terra com o desconforto das críticas que ela vem recebendo nas redes sociais nos últimos tempos.

“Concordo com a Michelle que ela está numa posição delicada. Ela precisa cobrar do presidente o que está acontecendo com ela”, Tico Santa Cruz, vocalista dos Detonautas

MICHEQUE

Vontade de pegar
essa sua boca e
encher de porrada

Hey Michelle,
conta aqui pra nós

A grana que entrou na
sua conta é do Queiroz?

Hey capitão, como
isso aconteceu?

Levante a mão pro
alto e agradeça muito a Deus

Detonautas Roque Club

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