Michelle Bolsonaro, uma mulher cordial

Crédito: Alan Santos/PR

(Crédito: Alan Santos/PR)


A revista online Crusoé revelou, na edição desta semana, que Michelle Bolsonaro pediu à Caixa Econômica Federal que concedesse empréstimos a diversos pequenos empresários do seu entorno, durante a pandemia. Uma doceira, uma florista, uma loja de roupas, um salão de beleza – todos, evidentemente, de propriedade de bolsonaristas.

As empresas existem, funcionam regularmente, teriam condições de obter os empréstimos sem a intervenção de Michelle? Tudo indica que a resposta é positiva para as três perguntas.

E os valores foram excepcionais? Não foram.

Então qual o problema?, perguntarão os apoiadores de Jair Bolsonaro – e talvez até mesmo algumas pessoas que o abominam, mas não conseguem enxergar nada de muito errado no comportamento da primeira-dama.

A resposta foi dada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, quase um século atrás, em 1936, quando ele publicou Raízes do Brasil.

O quinto capítulo do livro, hoje um clássico, começa assim: “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição.”

Sérgio Buarque observa então que, no Brasil, essa distinção bem marcada entre os domínios privado e público, característica das sociedades modernas, não se enraizou.

“É possível acompanhar, ao longo da nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal (…) Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.”

A legislação brasileira procura proteger as instituições desse tipo de comportamento dizendo que um dos princípios que regem a administração pública é a impessoalidade.

Isso significa que Michelle infringiu a lei ao mexer os pauzinhos para ajudar seus amigos. Quem colaborou com ela na Caixa, incluindo o presidente Pedro Guimarães, segundo a reportagem da Crusoé, serviu de cúmplice na história.

Mas juntemos agora o caso de Michelle com todos os indícios que já vieram à tona sobre como Bolsonaro e seus filhos comandavam gabinetes no Legislativo – os cargos preenchidos por familiares, amigos e outros tipos de agregado, todos devolvendo pedaços de seus salários para as rachadinhas que ajudaram o clã presidencial a engordar o patrimônio.

Fica evidente que os Bolsonaro – pais, filhos, mulheres, ex-mulheres – encarnam vícios que já eram velhos 100 anos atrás, quando Sérgio Buarque os descreveu.

Os Bolsonaro são o retrato perfeito de um Brasil que está distante da modernidade — que não quer e não sabe como chegar a ela. Eles são o Brasil no que ele tem de mais arcaico.

Esse é um dos principais motivos por que Bolsonaro e seu círculo não podem continuar no poder. Não há futuro possível com gente tão mergulhada no atraso.

Agora, se você não tem paciência para a sociologia, lembre apenas de todos os crimes que eles cometeram.


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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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