O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) afirmou na sexta-feira, 6, que mantém o desejo de formar uma aliança com o PL no Ceará. Após isso, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticá-lo. Em novembro de 2025, a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já havia dado uma bronca pública em integrantes do partido favoráveis a essa proposta.
Ciro Gomes contou, em conversa com jornalistas durante o Eproce (Encontro dos Produtores Rurais do Ceará), que Michelle Bolsonaro teria humilhado o deputado estadual André Fernandes (PL-CE), presidente estadual da legenda.
Apesar disso, o ex-ministro ressaltou que segue com sua vontade de firmar um acordo com a legenda de Bolsonaro. “O PL pediu um tempo para pacificar o problema interno deles. Quem sou eu para dizer ‘não’? Dou o tempo. Está guardada aqui uma vaga para a aliança que una toda a oposição para salvar o Ceará”, pontuou.
Horas após essa declaração de Ciro, Michelle Bolsonaro usou seu perfil no Instagram para rebatê-lo. “Como cristã, esposa e mãe de família, jamais trocarei nossos princípios e valores em nome de um tal pragmatismo”, afirmou. “O jogo é sujo, meus amigos… E muito mais sujo do que muitos imaginam”, acrescentou.
As críticas da ex-primeira-dama resultaram em um racha durante uma viagem a Fortaleza, em novembro de 2025. Na ocasião, Michelle participou do lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará e disse: “Fazer aliança com o homem [Ciro] que é contra o maior líder da direita, isso não dá”, afirmou ela, ao relembrar que o ex-ministro foi crítico ao governo Bolsonaro.
No mesmo evento, ela alfinetou André Fernandes pela possibilidade de aproximação com Ciro. À imprensa presente no local, Fernandes afirmou que a aproximação foi “autorizada” pelo próprio Bolsonaro.
Logo após o episódio, os filhos do ex-presidente reagiram negativamente às declarações de Michelle. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entendeu que a ex-primeira-dama “atropelou” Bolsonaro ao se manifestar sobre o caso, sendo endossado por Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Renan (PL-SC). Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente reside nos Estados Unidos, também defendeu a aproximação com Ciro.
Flávio chegou a dizer que houve um “ruído de comunicação” com Michelle e, após alguns dias, anunciou que o partido decidiu “pausar” o acordo com o ex-ministro.
A ex-primeira-dama não deixou o fato passar batido e, à época, defendeu seu direito de discordar das articulações feitas pelo partido, ainda que essa não fosse a vontade de Bolsonaro. “Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Nunca defenderá os nossos valores. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro”, disse Michelle em dezembro de 2025.