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Miami com outros olhos

Hoje respira-se arte e design em praticamente todos os bairros da cidade, reinventada com novos museus e em função do sucesso da Art Basel, que começa em dezembro. E ainda é rota de acesso a um inédito paraíso caribenho

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Mandarin Oriental, um resort urbano na vibrante região da Brickell (Crédito: Divulgação)

Há quanto tempo você não vai a Miami? Seja qual for a resposta, a cidade mais vibrante da Flórida terá algo para surpreender. É como água de coco bem gelada em dia escaldante de verão: refrescante e adorável. Esqueça South Beach e seus edifícios baixos em estilo art déco. Estamos falando da Brickell, epicentro da região de Downtown e a melhor tradução dos ares cosmopolitas que hoje ditam o ritmo local. Esse é o destino certo para quem quer explorar um lifestyle urbano ensolarado, com o melhor da eficiência americana em sintonia com uma ampla gama de referências globais.

A capacidade de reinvenção de Miami é admirável e a fase atual vem ganhando força nos últimos anos, muito em função e em torno da Art Basel Miami, que aporta por lá todo início de dezembro desde 2001. Ou seria a vinda de um dos maiores eventos de arte do mundo um sintoma deste novo posicionamento da cidade? Fato é que os quatro dias de feira – e todas as demais exposições, eventos e festas em paralelo, antes ou depois – ecoam pelo resto do ano, atraindo um novo olhar sobre esta terra antes conhecida apenas por outlets e praias.

Respira-se arte e design em praticamente todos os bairros, mas a vibe estética pulsa com mais força no Design District e no Wynwood Art District, vizinhos e repletos de galerias, lojonas e lojinhas, muros grafitados, cafés, bares e restaurantes descolados.

Visita obrigatória, não dá para perder. Assim como o Perez Art Museum Miami, ou PAMM, que já há quatro anos deslumbra visitantes e locais. O museu de arte moderna e contemporânea foca nos séculos 20 e 21, apresenta exposições de artistas de todos os continentes, mas tende a destacar aqueles oriundos das Américas. A nossa Beatriz Milhazes é uma das que já protagonizou uma mostra por lá. Independente do que estiver em cartaz, só o prédio de pé direito altíssimo, incrível aproveitamento de luz natural e belas vistas da baía de Biscayne, já vale o passeio. No mesmo complexo abriu recentemente o Frost Museum of Science, ótima pedida para quem viaja em família.

Todas essas atrações estão a no máximo 10-15 minutos de carro da Brickell, onde proliferaram nos últimos anos os melhores restaurantes e hotéis da cidade. A região tem uma localização central e também está perto do aeroporto, do porto, de South Beach e dos acessos a Coral Gables e Key Biscayne. No final de 2016 atraiu ainda mais os holofotes com a abertura do Brickell City Center, um complexo grandioso que inclui diversas opções de gastronomia, compras e entretenimento. Tudo isso ajudou a incensar esta parte da cidade antes reservada apenas a edifícios corporativos. Hoje é um lugar, como dizem os americanos, de “live, work and play.”

Pioneiro em apostar no potencial da região, o hotel Mandarin Oriental está no coração que reverbera todos estes ventos de sofisticação com pegada artsy contemporânea. Instalado na pequena ilha artificial de Brickell Key, foi construído como um barco na forma de um leque, em referência à logo deste grupo asiático. Todos os 326 quartos e suítes têm vistas deslumbrantes dos arredores e design clean com toques orientais. O spa é considerado o melhor da Flórida, há uma bela piscina de borda infinita, uma praia particular e um incensado La Mar by Gaston Acurio. Junto ao restaurante foi inaugurado este ano o Yaku, um lounge ao ar livre que serve drinques inspirados e comidinhas peruanas. Uma perfeita síntese do vivo caldeirão cultural em que se transformou Miami.

A próxima sensação do Caribe

Esta nova Miami por si só já rende uma viagem e tanto, mas pode ser também um pit stop no caminho de conexões com o paraíso. O aeroporto internacional de Miami é o principal hub do continente para quem busca sombra e água fresca nos destinos caribenhos. É de lá que parte a maioria dos voos para as principais ilhas da região e por isso a cidade é sempre uma ótima combinação com alguns dias ou semanas de dolce far niente no Caribe.

Enquanto algumas ilhas apostam no turismo de massa, outras se esforçam a cada temporada em renovar a oferta de motivos para atrair endinheirados de todas as nacionalidades. Uma, em particular, é o atual sonho de consumo das mais luxuosas redes hoteleiras. Canouan, parte do arquipélago de São Vicente e Granada, está recebendo investimentos pesados para transformar-se numa espécie de “nova St. Barth”, ou seja, reunir natureza de tirar o fôlego, charme e serviço de primeira linha.

Quem acaba de aterrisar por lá é o grupo Mandarin Oriental, que assumiu a operação do Pink Sands Club, um resort de 26 suítes coloniais, 6 villas de quatro quartos, cinco bares e restaurantes e um spa com vistas estonteantes. Nas proximidades os hóspedes podem aproveitar quadras de tênis, um campo de golfe com 18 buracos e uma série de atividades náuticas. O acesso se dá por voos comerciais até Barbados, Santa Lúcia e Grenada, de onde partem aviões pequenos rumo a Canouan. Os hóspedes que ficam por sete noites ganham uma carona vip no jato exclusivo do hotel, ida e volta de Barbados.