A Justiça de Minas Gerais inocentou o investigador Celso Trindade de Andrade, que era suspeito de ter assediado a escrivã da Polícia Civil Rafaela Drumond na Delegacia de Carandaí (MG), onde ambos trabalhavam. No dia 9 de junho, ela foi encontrada morta na casa dos pais, em Campo das Vertentes, distrito do município mineiro de Antônio Carlos.
Resumo:
- Um vídeo mostra o momento em que Rafaela teria sido alvo de comentários machistas na delegacia;
- Além de Celso, o delegado Itamar Cláudio Netto é investigado por envolvimento no caso ;
- Há suspeita de que a escrivã sofria assédio sexual e moral na delegacia.
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Além disso, a Justiça acatou o pedido feito pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) e determinou o arquivamento do inquérito policial que investiga os crimes de induzimento (auxílio a suicídio) e assédio sexual e moral.
Na decisão, à qual a ISTOÉ teve acesso, a juíza Marié Verceses da Silva Maia revogou a punição de Celso por suposto crime de injúria, após ser flagrado em um vídeo no qual teria xingado a escrivã de “piranha”.
Para o MPMG, a ofensa proferida pelo escrivão prescreveu por não ter sido denunciada no prazo máximo de seis meses para esse tipo de crime. O episódio teria ocorrido entre o final de 2022 e início deste ano.
Envolvimento de delegado
Além de Celso, o delegado Itamar Cláudio Netto passou a ser investigado por envolvimento no caso. Em relação a ele, a juíza Marié Verceses indicou que a Comarca de Carandaí não é competente para analisar essa ocorrência e a transferiu para o Juizado Especial Criminal.
Em setembro deste ano, Itamar foi indiciado por condescendência criminosa, quando não há responsabilização de um subordinado que cometeu infração ou quando o caso não é levado para as autoridades competentes.
Agora o Juizado Especial Criminal deve agendar uma audiência preliminar para analisar o caso de Itamar.
Relembre o caso:
Na noite do dia 9 de junho, Rafaela foi encontrada morta na casa dos pais. O fato ocorreu após a PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais) confirmar um inquérito para “apurar as circunstâncias que permearam os fatos”.
De acordo com o Sindep-MG (Sindicato dos Escrivães da Polícia Civil de Minas Gerais), houve um contato da vítima com o jurídico da organização. Ela realizou uma consulta acerca dos limites de carga horária de trabalho, mas na oportunidade não denunciou os assédios que estaria sofrendo.