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MG: Família procurou ritual satânico para curar gripe de criança que morreu incendiada, diz advogado

Crédito: Reprodução/Redes sociais

Maria Fernanda Camargo morreu durante ritual (Crédito: Reprodução/Redes sociais)


No dia 20 de abril deste ano, Maria Fernanda Camargo, de 5 anos, queimou até a morte durante um ritual satânico na cidade de Frutal (MG). O advogado José Rodrigo de Almeida afirmou que a família da menina procurou o suposto líder espiritual para curar uma gripe persistente. As informações são do O Globo.

Após o ocorrido, os avós, a tia, a mãe da menina e o suposto líder espiritual foram presos.

O advogado representante da família de Maria Fernanda ressaltou que a morte foi acidental. Ele afirmou que os parentes não tinham a intenção de machucá-la.

“Ritual de invocação de espírito maligno, sacrifício humano, nada disso aconteceu. O que aconteceu foi o seguinte: em 2021, no ápice da pandemia, o tio e a tia da criança estavam intubados no hospital com Covid. Alguém na cidade falou que esse homem podia fazer um trabalho espiritual de cura. Eles realmente melhoraram depois e atribuíram a melhora ao trabalho”, disse o José Rodrigo, que, para ele, a família é vítima de preconceito religioso.

Por conta disso, os familiares resolveram levar Maria Fernanda ao líder espiritual depois de ela desenvolver uma gripe persistente, com febre, tosse e dor de garganta. O ritual aconteceu na casa dos avós da menina.

O advogado contou que o líder espiritual, no primeiro momento, realizou a benção combinada. Depois, ele teria incorporado uma outra entidade e pediu uma bacia com álcool e ervas para realizar a cura.

“Quando ele passou o álcool na cabeça da menina, a mãe disse: álcool não!”

Relembre o caso

Maria Fernanda Camargo teve quase 100% do seu corpo queimado quando o suposto líder espiritual aproximou uma vela.

Na tentativa de apagar as chamas, os familiares também sofreram queimaduras.

Na sequência, a menina foi levada para o Hospital Frei Gabriel. Depois, transferida para um hospital em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ao serem questionados, os familiares relataram que havia ocorrido um acidente doméstico envolvendo uma churrasqueira na casa dos avós.

Os parentes resolveram contar a verdade depois que o líder espiritual deu a sua versão sobre os fatos.

O delegado Murilo Antonini informou que a família é investigada por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco ao cometer a ação).

“O dolo eventual deles é no sentido de que tinham o dever de agir. Eles ficaram passivos vendo aquele espetáculo de horror.”

Já o advogado José Rodrigo discordou dessa argumentação. Para ele, a família fez o possível para proteger a criança.

A Polícia Civil investiga o líder espiritual por homicídio doloso (quando há intenção de matar).

O homem relatou em seu depoimento que não se recorda do que aconteceu antes da morte de Maria Fernanda.

“É impossível um homem médio achar que o álcool em contato com uma vela acesa não vai sofrer combustão. A motivação dele não sabemos”, relatou o delegado.