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México contém caravana de centro-americanos vinda da Guatemala

México contém caravana de centro-americanos vinda da Guatemala

Migrantes centrp-americanos continuam na ponte que liga Tecum Uman, na Guatemala, à Ciudad Hidalgo, no México - AFP

Centenas de migrantes da América Central que fogem da pobreza e da violência e querem chegar aos Estados Unidos, foram contidos com bombas de gás lacrimogêneo por guardas nacionais mexicanos no rio Suchiate, fronteira natural entre Guatemala e México, nesta segunda-feira (20).

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Amedrontados pelo forte dispositivo de segurança, a maioria dos membros da caravana decidiu voltar por conta própria à Guatemala, segundo constataram equipes da AFP deslocados nos dois lados da fronteira.

No entanto, 200 pessoas que conseguiram evitar o poderoso contingente dissuasivo e entrar alguns quilômetros em território mexicano foram interceptadas pouco depois por agentes da Guarda Nacional em uma operação rodoviária, quando tentavam avançar a pé para a cidade mexicana de Tapachula (sul).

Antes de ser interceptado, o grupo que tentava chegar a pé pela estrada que leva a Tapachula enfrentou o sol inclemente e uma temperatura superior a 30 °C.

Várias unidades da Guarda Nacional, da Polícia Federal e de migração do México impediram seu avanço e exigiram que entrassem em ônibus dispostos pelas mesmas autoridades mexicanas.

Muitos aceitaram embarcar nos veículos, enquanto outros resistiram e tentaram correr, mas foram detidos e levados aos empurrões a caminhonetes da migração, constatou a AFP.

“A caravana já foi contida em sua maioria”, disse à AFP um oficial da Polícia Federal que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a depor.

Os migrantes chegaram de madrugada à fronteira e pediram para os agentes migratórios autorizarem sua entrada mas, por volta de meio-dia, diante da falta de resposta, se lançaram ao rio na cidade guatemalteca de Tecún Umán.

Em meio aos gases e lançando insultos aos guardas mexicanos, os centro-americanos avançaram com facilidade sobre o Suchiate, pouco caudaloso nesta época do ano.

“Deixem-nos passar! Ponham a mão no coração”, gritou Jorge, hondurenho que viaja com a mulher e dois filhos pequenos.

No domingo, o governo mexicano informou aceitar a entrada de mais de mil centro-americanos que chegaram em outro contingente no fim de semana e que estudariam cada caso, embora tenha alertado que a maioria poderia ser devolvida.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, ofereceu 4.000 empregos para aqueles que concordassem em ficar no sul do México.

Mas Tania, hondurenha de San Pedro Sula que estava tentando atravessar, disse à AFP: “Eles nos enganam, estão deportando aqueles que concordaram em se registrar”.

– Desespero –

Os migrantes da chamada caravana 2020, na qual também viajam famílias completas com crianças pequenas, concentraram-se desde o amanhecer na alfândega da Guatemala na cidade de Tecún Umán (sudoeste).

O grupo ocupou a ponte Rodolfo Robles, mas parou a vários metros do território mexicano, fortemente protegido por agentes migratórios e policiais militares com equipamentos de choque.

“Nos desesperamos com o calor que está afetando demais, sobretudo as crianças”, disse à AFP Elvis Martínez, de 33 anos, enquanto corria para o rio.

“Pedimos ao presidente (mexicano) Andrés Manuel López Obrador que abra as portas para nós”, disse à AFP Marvin Zanabria, um migrante hondurenho que liderava o grupo.

Embora o governo mexicano tenha concordado em analisar os pedidos de alguns centro-americanos e tenha oferecido a eles trabalho em programas sociais do governo, ao mesmo tempo há uma mobilização de guardas nacionais inédita nesta área.

Depois das enormes caravanas de centro-americanos que chegaram ao México no fim de 2018 e início de 2019, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez fortes reivindicações ao governo mexicano e ameaçou impor tarifas sobre os produtos deste país se não fosse tomada nenhuma medida para impedir a onda migratória.

López Obrador ordenou o envio de cerca de 26.000 guardas nacionais nas fronteiras norte e sul, na tentativa de conter essa onda de centro-americanos que fogem da pobreza e da violência e buscam asilo nos Estados Unidos.

A também chamada “Caravana da Esperança, Deus é amor”, saiu na terça-feira passada do norte de Honduras. Depois de cruzar a Guatemala, guatemaltecos, salvadorenhos e nicaraguenses se uniram.

O grupo é composto por cerca de 3.500 pessoas, de acordo com estimativas das autoridades de imigração.

“Saímos de Honduras por causa da economia ruim e do medo”, acrescentou Mayra Zelaya, de 23 anos, enquanto carregava sua filha de 10 meses nos braços. Zelaya viaja com o marido e outro filho de 4 anos, com quem espera chegar aos Estados Unidos.

Também nesta segunda, mais de 50 migrantes salvadorenhos partiram em uma pequena caravana para chegar aos Estados Unidos.

Com mochilas nas costas, os migrantes se concentraram de madrugada na praça Salvador del Mundo, no oeste de San Salvador, para iniciar o trajeto.

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