O México, que ainda não convenceu, terá a oportunidade de calar as críticas ao estrear neste sábado na Copa América contra a Jamaica, seleção de pouco currículo, mas disposta a complicar a vida dos adversários.

Dada a sua proximidade geográfica e a importante comunidade mexicana residente nos Estados Unidos, ‘El Tri’ quase será o dono da casa neste duelo marcado para as 20h locais (22h de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Texas, com capacidade para 72.000 torcedores.

As duas seleções, convidadas pela Concacaf para o torneio de seleções mais antigo do mundo, compõem o Grupo B, que também conta com Equador e Venezuela.

– Equipe renovada, velhos males –

É verdade que o novo técnico da seleção mexicana Jaime Lozano, no cargo há um ano, fez o país sonhar ao liderar a equipe na 12ª conquista de uma Copa Ouro, em 2023.

Mas em março perdeu a final da Liga das Nações da Concacaf para os Estados Unidos e o treinador iniciou uma criticada renovação geracional, deixando de fora destaques como o goleiro Guillermo Ochoa (38 anos) e os atacantes Hirving Lozano (28) e Raúl Jiménez (33).

Jaime Lozano testou em amistosos recentes um time que perdeu por 4 a 0 para o Uruguai e, após alguns ajustes, foi derrotado por 3 a 2 por um time misto do Brasil.

Questionado em seu país pela falta de conquistas e juventude (ele tem 45 anos, apenas alguns meses mais jovem que o técnico argentino Lionel Scaloni, que acaba de completar 46 anos), Lozano tem sua permanência em risco caso sua seleção apresente um fraco desempenho neste torneio.

“A seleção não é para formar jogadores, nos seus clubes há quem deve formá-los (…) Não partilho dessa história de mudança geracional. Os melhores devem ir para a seleção nacional, estejam eles com 40 anos ou 18 anos”, disse recentemente Claudio Suárez, ex-jogador da seleção mexicana, à AFP.

– Ensaio –

Em sua última participação em uma Copa América (2016), o México perdeu por 7 a 0 nas quartas de final para o Chile. Embora o cenário seja difícil, sabe crescer em duelos importantes e pode encarar esta competição como um ensaio para a Copa do Mundo de 2026, onde será sede ao lado de Estados Unidos e Canadá.

“É o segundo torneio mais importante que disputamos e que poderíamos disputar, fora a Copa do Mundo, porque, para ser sincero, a Copa América é mais importante do que uma Copa Ouro, que seria o nosso setor. Temos que aproveitar”, disse o meio-campista Luis Chávez, que joga no Dínamo de Moscou.

– Reforço de naturalizados –

O México tem no ataque o colombiano naturalizado mexicano Julián Quiñones, ex-América (MEX) e que acaba de assinar pelo Al-Qadsiah, da Arábia Saudita.

Outro mexicano naturalizado é o argentino Santiago “El Bebote” Giménez, que joga no Feyenoord, da Holanda.

Além disso, contra a Jamaica, a história favorece os ‘aztecas’.

– Reggae Boyz prometem gols –

A Jamaica estreia em Houston sem o atacante Leon Bailey, do Aston Villa, que abriu mão de disputar o torneio devido a desentendimentos com sua federação. Mas isso não os desanima.

“Nos últimos jogos sempre conseguimos fazer gols e, se olharmos para o time, vemos que a Jamaica é rica em talentos ofensivos (…) Esses caras conseguem fazer gols com sua velocidade, com sua habilidade”, disse em uma entrevista recente o seu treinador, o islandês Heimir Hallgrímsson.

Sem Bailey, venceram a República Dominicana por 1 a 0 e a Dominica por 3 a 2, na segunda rodada das Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2026 e antes, em março, conquistaram o terceiro lugar na Liga das Nações.

Os atacantes Michail Antonio (do West Ham), Shamar Nicholson (Clermont, FRA) e Demarai Gray (Al-Ettifaq Club, SAU) e o meio-campista Bobby DeCordova Reid (Fulham, ING) são alguns de seus destaques.

Seu capitão, o goleiro Andre Blake (do Philadelphia Union, EUA), ainda está se recuperando de uma cirurgia no joelho, então Shaquan Davis (Mount Pleasant, JAM) ou Jahmali Waite (El Paso Locomotive, EUA) poderiam inicialmente substituí-lo.

– Prováveis escalações:

México: Julio González – Israel Reyes o Jorge Sánchez, Edson Álvarez, Johan Vásquez, Gerardo Arteaga – Luis Chávez, Luis Romo, Carlos Rodríguez o Erick Sánchez – Uriel Antuna, Santiago Giménez, Julian Quiñones ou Guillermo Martínez. Técnico: Jaime Lozano

Jamaica: Shaquan Davis o Jahmali Waite – Dexter Lembikisa, Di’Shon Bernard, Richard King, Gregory Leigh – Bobby Decordova Reid, Karoy Anderson, Kasey Palmer – Renaldo Cephas, Kaheim Dixon, Shamar Nicholson. Técnico: Heimir Hallgrímsson

Árbitro: Ismail Elfath (EUA).

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